Apoiadores do Hezbollah em celebração no Líbano Foto: EFE/EPA/WAEL HAMZEH
Enquanto as atenções se concentram na renovada escalada militar entre Israel e Hezbollah, especialistas alertam que ataques aéreos ou mesmo uma invasão terrestre, por si sós, não serão capazes de desfazer permanentemente o grupo.
A experiência de conflitos anteriores demonstra que o Hezbollah opera como um ecossistema de poder, cuja resiliência depende de duas âncoras principais: o apoio do Irã e um sólido sistema financeiro e político enraizado no Líbano.
A eliminação duradoura da capacidade do grupo só poderá ocorrer mediante um de dois cenários.
O primeiro é uma mudança de regime no Irã. Enquanto a República Islâmica permanecer política e financeiramente resiliente, continuará a canalizar recursos — como o estimado bilhão de dólares injetado desde o cessar-fogo de novembro de 2024 — para que o Hezbollah reconstrua seu arsenal militar.
O segundo cenário seria o desmantelamento completo do sistema financeiro interno e do poder político do grupo no Líbano.
Até porque, o Hezbollah não é apenas uma força militar; ele controla uma rede de finanças paralelas (o sistema de dinheiro em espécie), influencia decisões do Estado libanês e mantém presença em posições-chave.
Sem o desmonte dessa infraestrutura civil e política, o grupo tem demonstrado, ao longo de décadas, uma capacidade recorrente de se regenerar após cada confronto.
Para os formuladores de política, a implicação é clara: uma solução sustentável exige ir além do campo de batalha. Ou o Líbano demonstra soberania ao confiscar armas ilegais e desmantelar o poder doméstico do Hezbollah —um passo que exigiria uma mudança radical na dinâmica política local —, ou a dependência do grupo a Teerã precisa ser rompida na fonte.
Em suma, sem uma dessas transformações estruturais, o ciclo de reconstrução e rearranjo militar tende a se perpetuar.

