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COLUNA BOCA MALDITA – CIÚMES TOLOS

 

JANELA PARTIDÁRIA
No próximo sábado, 4 de abril, termina o prazo para que deputados estaduais, distritais e federais possam mudar de partido sem o risco de perder o mandato. A janela partidária é estabelecida pela legislação eleitoral do Brasil e deve ser aplicada sempre no fim dos mandatos legislativos. Sendo assim, todos os deputados estaduais e federais de Rondônia estão livres para assinar a ficha de filiação em outra sigla. Nos bastidores políticos do estado, a movimentação é muito grande, já que os atuais deputados buscam espaço nos partidos onde imaginam que terão maiores possibilidades de garantir a vitória nas urnas em outubro, para mais 4 anos de mandato. Embora a janela partidária tenha sido aberta nos primeiros dias do mês de março, não houve grandes mudanças, porque os políticos costumam esperar até a última hora para tomar decisões desse tipo, objetivando que a decisão seja mais acertada e seus cálculos não sejam frustrados. Esta semana, porém, é provável que tenhamos algumas mudanças de partido de vários deputados. Entre os deputados que devem mudar de sigla, estão Rodrigo Camargo, Taíssa de Souza e Marcelo Cruz. Claro que algumas dessas mudanças podem não se confirmar, caso os deputados avaliem que a permanência pode ser melhor para seus projetos de reeleição. Entre os deputados federais, Lúcio Mosquini já deixou o MDB e mudou para o PL, Cristiane Lopes foi para o Podemos e Thiago Flores deve migrar para o PSD de Marcos Rocha e Expedito Júnior.
 TENTATIVA DE SOBREVIVÊNCIA
 A probabilidade maior é que os deputados estaduais e federais busquem mudar para os partidos que oferecem mais dinheiro para a campanha eleitoral, já que nenhuma mudança de partido tem qualquer ligação com os interesses da sociedade. Na prática, a última coisa que os deputados de Rondônia vão pensar, quando decidirem mudar de partido, será o interesse da sociedade. Eles possuem interesse em defender seus privilégios. Aliás, muitos deputados de Rondônia, pouco tempo atrás, faziam duros discursos contra o Fundo Eleitoral, mas isso eles fazem apenas para jogar para a plateia, porque a intenção de todos é buscar a sigla que oferece mais dinheiro do Fundo Eleitoral para a campanha. No caso dos partidos de menor expressão, eles também possuem recursos, mas nem sempre são atrativos. Um dos problemas que devem ser enfrentados por deputados que desejam mudar de partido é a rejeição dos novatos que buscam um lugar ao sol. A filiação de pessoas com mandato não é bem vista por quem quer a cadeira. Esta situação pode levar vários deputados a se juntarem num mesmo partido, com a finalidade de salvar seus mandatos, mas essa estratégia nem sempre funciona. Nas eleições de 2022, vários deputados tentaram a manobra, mas acabaram sem a cadeira. Naquele ano, apenas 11 deputados estaduais conseguiram a reeleição e a Assembleia Legislativa de Rondônia teve mais da metade formada por novatos. Considerando que a atuação de muitos desses novatos foi medíocre, é possível que vários deles fiquem pelo caminho nas eleições deste ano.
REFRESCANDO A MEMÓRIA
O prefeito de Cacoal é tratado por alguns de seus aliados, principalmente aqueles que não acompanham a política no município, como um ídolo muito coerente e de carreira sólida, mas isso está muito longe de ser a realidade. Recentemente algumas pessoas usaram suas redes sociais para sugerir que o vice-prefeito Tony Pablo estaria se preparando para trair o prefeito, mas isso também não é verdade. Desde o início da carreira política de Adailton Fúria, ele sempre teve total proteção e apoio do atual vice-prefeito. Quem acompanha a política cacoalense sabe disso muito bem. Aliás, quando exercia o mandato de vereador em Cacoal, Fúria era considerado um político completamente sem rumo. Em determinada ocasião, os vereadores abriram um processo para cassar o mandato do então vereador, por quebra de decoro e por fazer denúncias sempre vazias. Nos bastidores da Câmara de Cacoal, naquele momento, havia 11 vereadores que estavam decididos a colocar o processo de cassação na pauta e tirar o mandato de Adailton Fúria. O fato somente não foi consumado porque o Dr. Tony Pablo entrou em ação e fez a defesa de Fúria nos bastidores do legislativo. Após isto, Tony Pablo apoiou publicamente a campanha de Fúria para deputado estadual. Depois, apoiou publicamente a campanha para prefeito, inclusive na condição de vice na chapa. Portanto, dizer que o vice-prefeito é traidor não combina com os fatos. Ele se mantém amigo do prefeito e sempre foi seu principal protetor. Vale ressaltar que Tony Pablo sempre fez isso com muita independência. Ele nunca foi submisso ou subordinado ao atual prefeito e mais ninguém.
CIÚMES TOLOS EM CACOAL
Esse clima de ciúmes que envolve a relação do vice-prefeito Tony Pablo com alguns aliados de última hora do prefeito não faz muito sentido. Tony é amigo de longa data do prefeito e já defendia seu nome, quando muitos dos atuais amigos do prefeito jogavam pedra. Com relação ao fato de receber visitas de políticos em seu gabinete ou escritório de advocacia, desde que assumiu o cargo de vice-prefeito, Tony Pablo já recebeu dezenas de políticos de Rondônia, entre eles, Confúcio Moura, Chisóstomo, Marcos Rogério, Sílvia Cristina, Jesualdo Pires e vários outros. O ex-prefeito de Porto-Velho, Hildon Chaves, não é o primeiro político recebido por Tony Pablo e certamente não será o último, porque a tendência é que outros políticos visitem Cacoal nos próximos meses e passem no gabinete do vice-prefeito, mesmo porque ele deve assumir a titularidade do cargo nos próximos dias e vai precisar ter boas relações políticas com todas as forças políticas e partidárias de Rondônia. A propósito, durante várias dessas visitas que recebeu, o vice-prefeito de Cacoal aproveitou para pedir recursos e investimentos dos políticos que passaram por seu gabinete. A conduta do vice-prefeito não configura nenhum ato de traição e revela uma conduta em defesa dos interesses da população de Cacoal. Qualquer pessoa que assuma a prefeitura de um município como Cacoal tem obrigação de receber políticos de todas as cores e pensamentos, porque isso é fundamental para buscar ajuda financeira para o município. Como é um político habilidoso, Tony Pablo jamais deixaria de receber visitas para agradar ciúmes bobos de pessoas que não conhecem o jogo da política.
SINAIS DE RACHADURA
Depois que o ex-prefeito de Porto Velho, Hildon Chaves, anunciou que é pré-candidato ao governo e deseja ter como seu vice o deputado Cirone Deiró, o clima político em Cacoal ficou bem tenso. Isso porque, Cirone tem liderança consolidada no município e possui fortes relações políticas em todos os demais municípios do estado. Ainda é cedo para dizer que ele será candidato a vice na chapa de Hildon Chaves, mas eles estão visitando todo o estado juntos e confirmando que existe a possibilidade. Esse fato gerou um grande conflito na cabeça das pessoas mais ligadas ao prefeito Adailton Fúria, porque a possibilidade de divisão de forças é inevitável. Dentro da Câmara Municipal de Cacoal, existem vários vereadores que jamais seriam eleitos sem a ajuda do deputado Cirone Deiró, entre eles Zivam Almeida, Nice Condaque, Alaezio do Teixeirão. Além disso, a vereadora Amália Milani foi eleita pelo União Brasil, o mesmo partido do deputado, e possui uma relação política com ele que é de conhecimento de todos os cacoalenses. Aliás, Amália Milani é uma vereadora muito independente e jamais dificilmente seria manipulada pelo prefeito. Em diversas ocasiões, ela deixou isso bem claro em suas falas na tribuna e sua conduta também mostra essa independência. A coerência da vereadora indica que ela certamente vai se manter ao lado do deputado com que tem excelente relação. Caso Cirone Deiró seja mesmo vice na chapa de Hildon, provavelmente terá o apoio da vereadora. Aqueles que imaginaram que os 12 vereadores são cabos eleitorais automáticos do prefeito Adailton Fúria estão muito enganados.
INDEPENDÊNCIA POLÍTICA
No caso dos demais vereadores, Amarilson Carvalho provavelmente seguirá com o grupo do senador Marcos Rogério, que também é pré-candidato ao governo, e o vereador Edimar Kapiche certamente vai esperar e ver como vai se comportar seu partido. Kapiche anunciou que é pré-candidato a deputado estadual, mas ele pode ter suas pretensões barradas dentro do partido, por interesses de pessoas que não querem sua candidatura. Neste caso, se for boicotado, o vereador Edimar Kapiche provavelmente vai ficar muito chateado e pode virar mais um desfalque no palanque do prefeito Adailton Fúria. Embora seja um aliado do atual prefeito, Kapiche tem o perfil de ser um vereador independente e já provou isso várias vezes. Poucos dias atrás, ele fez duras críticas contra a secretária de educação, que é parente do prefeito e foi colocada no cargo apenas pelo grau de parentesco, já que é muito rejeitada dentro da própria educação. O movimento para impedir a candidatura de Edimar Kapiche parte de pessoas bem próximas ao prefeito e pode criar conflitos bem tensos. Aliás, foram essas mesmas pessoas que afastaram o deputado Cirone Deiró do prefeito, exatamente porque não gostam de dividir espaços. A situação do vereador Edimar Kapiche parece simples: se conseguir a vaga para ser candidato, deve se manter ligado ao prefeito Fúria na campanha. Se for boicotado, provavelmente vai buscar espaço em outro grupo político. Caso deixe o PSD para ser candidato em outra sigla, Kapiche terá o risco de perder o mandato. Vamos esperar e ver como fica a situação.
GESUALDO PIRES
O ex-prefeito de Ji-Paraná, Jesualdo Pires, esteve em Cacoal no início da semana. Quando exerceu o cargo de prefeito em Ji-Paraná, pelo período de 8 anos, Jesualdo Pires realizou grandes obras que levaram o município a resolver grandes problemas, principalmente no setor de infraestrutura. Após deixar o cargo, ele ficou alguns anos fora das disputas políticas e voltou a disputar eleições em 2018, quando foi candidato ao Senado Federal. Na ocasião, Jesualdo Pires obteve uma expressiva votação, o que comprova sua liderança em Rondônia e o respeito que o eleitor tem por ele. Este ano, o ex-prefeito do maior município do interior do estado recebeu um convite da deputada Sílvia Cristina para disputar uma vaga de deputado federal. Como Silvia Cristina tem grande popularidade em Ji-Paraná e todos os demais municípios de Rondônia, e considerando que Jesualdo Pires tem um currículo muito respeitado no estado, ele certamente está entre os nomes com grandes possibilidades de conseguir uma vitória nas urnas. Além de ter uma imagem de político muito correto, o ex-prefeito de Jipa tem excelente qualificação técnica e certamente iria melhorar muito a qualidade da bancada federal de Rondônia na Capital Federal.  Na visita que fez a Cacoal, Jesualdo Pires conversou com diversas lideranças e visitou alguns lugares no município. Caso confirme sua candidatura a deputado federal nas convenções de seu partido (PP), o ex-prefeito será uma excelente opção para o eleitor que busca qualidade técnica e conduta correta dos candidatos.
BARRACO OFICIAL
Os deputados estaduais Jean de Oliveira e Rodrigo Camargo protagonizaram recentemente um grande barraco, durante uma sessão da Assembleia Legislativa de Rondônia. Ao usar a palavra, Jean de Oliveira declarou que Rodrigo Camargo deveria ser chamado de “amargo”, porque não possui nenhum amigo dentro da Casa de Leis de Rondônia. Ao rebater a fala do colega, Rodrigo Camargo afirmou que Jean de Oliveira possui condenação por várias acusações e não é muito bem visto no âmbito da justiça. O barraco entre os deputados teve como principal motivo um projeto que tem a finalidade de melhorar a carreira dos servidores da Polícia Civil de Rondônia. Jean de Oliveira aproveitou a ocasião do barraco para dizer que Camargo nem sabe se vai ser candidato este ano, já que não tem partido político e nem aliados. Poucos dias atrás, o deputado Rodrigo Camargo declarou, na tribuna da Assembleia Legislativa, que seria candidato ao governo do estado e que teria sido escolhido pelo povo. Ele também afirmou que deixaria seu partido (Republicanos) e entraria para o Podemos de Leo Moraes. Rodrigo Camargo deseja disputar com o prefeito de Vilhena, Flori Cordeiro, a indicação do Podemos para ser candidato a governador. O prefeito de Vilhena já anunciou sua pré-candidatura há alguns meses. O prefeito da capital Leo Moraes, principal líder da sigla no estado, ainda não decidiu se apoiar Cordeiro ou Camargo, mas a decisão deve ser tomada bem mais adiante, no período de convenções, que acontece entre 20 de julho e 5 de agosto.
POBRES DE RONDÔNIA
Muitos políticos de Rondônia costumam usar suas redes sociais e microfones para criticar os programas sociais do governo federal aqui no estado. Porém, essas pessoas não possuem nenhuma preocupação com a realidade das pessoas pobres de Rondônia. Durante o mês de março, quase 55 mil famílias de Rondônia (54.891) foram beneficiadas com o programa Gás do Povo, um programa do governo federal que distribui o gás de cozinha para famílias de baixa renda. Não dá para ignorar essa realidade, porque essas famílias não podem ser excluídas dos programas sociais apenas para agradar as pessoas que não gostam de pobres.  Além disso, milhares de famílias rondonienses receberam, nos últimos anos, o benefício da casa própria, atrás de outro programa do governo federal, o programa Minha Casa Minha Vida. No setor de saúde, centenas de médicos que atuam em Rondônia são pagos pelo governo federal. Esses programas precisam ser defendidos pelos políticos de nosso estado, porque fazer discursos contra a população de baixa renda não faz o menor sentido. Os deputados, prefeitos, vereadores e outros políticos de Rondônia podem até não gostar de pobres, mas tentar tirar da população de baixa renda os benefícios que a lei estabelece demonstra incoerência, falta de empatia e falta de respeito pela população de renda que vive em Rondônia. Caso os políticos desse estado não aceitem os benefícios que o governo federal proporciona às famílias rondonienses, eles precisam apresentar projetos que sejam melhores. Condenar os programas que existem apenas para expressar ódio aos pobres não é o caminho.


Fonte: Tribuna Popular

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