Neymar
Existe uma fome quase automática por transformar qualquer frase em crime moral, como se o mundo só pudesse ser compreendido através de rótulos extremos. Neymar diz algo corriqueiro, absolutamente banal dentro do universo do futebol, e imediatamente surge a acusação: misoginia.
Mas não há misoginia nenhuma. Não há desprezo estrutural, não há intenção de inferiorizar mulheres, não há sequer material sério para sustentar essa leitura. Há apenas uma linguagem comum sendo sequestrada por uma interpretação inflada.
Esse tipo de reação revela mais sobre quem acusa do que sobre quem fala. Porque é preciso certa distorção, quase uma vontade de ver problema onde ele não existe, para transformar uma expressão trivial em um ato de opressão.
Quando tudo vira misoginia, nada mais é misoginia de fato. O termo perde sentido, vira instrumento de histeria coletiva, usado não para proteger, mas para punir, expor e reafirmar uma superioridade moral de ocasião.
E, no meio disso tudo, Neymar continua sendo o personagem ideal para esse tipo de espetáculo. Não pelo que fez agora, porque não fez nada de errado, mas porque já foi escolhido como alvo recorrente.
Só que existe uma realidade que não cabe nessa narrativa: o atleta de excelência e o homem à frente do Instituto Neymar, que há anos transforma a vida de milhares de crianças. Mas isso exige honestidade para reconhecer, e honestidade, hoje, parece ser muito menos atraente do que o prazer de condenar.

