Chacina em Guajará-Mirim completa 12 anos
Foragido da Justiça desde 2016, Tanus dos Santos foi condenado a 111 anos e 2 meses de prisão pelo assassinato do cunhado, da namorada e dos dois filhos dela, de 5 e 16 anos. O julgamento aconteceu nesta segunda-feira (4), no Tribunal do Júri de Guajará-Mirim (RO).
➡️ O crime ocorreu em 30 de dezembro de 2013, no bairro Santa Luzia. Mesmo sem ter sido localizado, o acusado foi levado a júri e julgado sem estar presente.
Durante a sessão, os jurados reconheceram a autoria dos crimes e decidiram pela condenação. Como o réu segue foragido, ele não participou do julgamento, mas foi representado por defesa técnica, como prevê a legislação.
Réu pode ser julgado mesmo foragido?
O caso chama atenção por uma dúvida comum: é possível julgar alguém que não foi encontrado pela Justiça? A resposta é sim.
Ao g1, o promotor de Justiça do Ministério Público de Rondônia (MP-RO), Leonardo Castelo Alves, explicou que a ausência do réu não impede o andamento do processo.
“A legislação brasileira autoriza expressamente o andamento do processo sem o acusado, conforme o artigo 367 do Código de Processo Penal”, afirmou.
Na prática, isso significa que a Justiça pode seguir com o julgamento normalmente. A ausência do réu não quer dizer que ele seja considerado culpado automaticamente — é preciso provar o crime.
Para que isso aconteça, o acusado precisa ter sido chamado oficialmente pela Justiça. Se não comparece, ele abre mão de se defender pessoalmente, mas continua tendo direito a um advogado ou à Defensoria Pública.
Mesmo sem estar no julgamento, o réu perde a chance de apresentar sua versão diretamente aos jurados, o que pode influenciar na decisão.
“A presença do réu, embora seja um direito, não é obrigatória em todas as fases do processo. Ele pode optar por não comparecer, assumindo os riscos dessa decisão. Ainda assim, seus direitos processuais são preservados”, afirmou o promotor.
Com a condenação, Tanus dos Santos passa a ser considerado culpado pelos crimes. Caso seja preso, deverá cumprir a pena conforme determinado pela Justiça. Ele ainda pode recorrer da decisão, mesmo estando foragido.
O g1 procurou a Polícia Civil de Rondônia para saber se há diligências em andamento para localizar Tanus dos Santos e se existem pistas recentes sobre o paradeiro dele, mas té a última atualização desta reportagem, não houve resposta.
O crime
Uma mulher de 28 anos e os dois filhos, de 5 e 16 anos, foram mortos a tiros na madrugada do dia 30 de dezembro de 2014, no bairro Santa Luzia, em Guajará-Mirim (RO).
As vítimas foram identificadas como Luciene de Almeida, de 30 anos, e os filhos Elizandro Almeida Lima Tavares, de 15 anos, e Renato Almeida Paiva, de 5 anos. O irmão de Luciene, Jokley Lima Brito, de 20 anos, também foi baleado e morreu dias depois, em 1º de janeiro de 2015.
O autor do crime foi identificado pela polícia como Tanus dos Santos, que, na época, tinha 23 anos e era namorado da mulher. A motivação, segundo familiares das vítimas, seria ciúmes.
De acordo com a polícia, as vítimas foram atingidas com tiros na cabeça. O irmão da mulher, Jocley Lima, também foi baleado.
Segundo a perícia, o filho mais velho foi a primeira vítima. O corpo dele e o da mãe foram encontrados na sala da casa. Já o corpo da criança mais nova estava em um dos quartos.
Tanus se apresentou à Polícia Civil no dia 1º de janeiro de 2015, acompanhado de um advogado, dois dias após o crime. Na ocasião, houve tumulto em frente à delegacia, e moradores tentaram invadir o local. A unidade foi depredada, policiais ficaram feridos e um manifestante foi atingido por bala de borracha.
Por segurança, o suspeito foi transferido para a Penitenciária Estadual Edvan Mariano Rosendo, em Porto Velho.
Fuga
Tanus permaneceu preso por cerca de dois anos e quatro meses. No dia 11 de janeiro de 2016, ele fugiu do presídio com outros detentos.
Segundo agentes penitenciários, os presos serraram as grades da cela e, após percorrerem cerca de 30 metros, conseguiram pular o muro da unidade.
Parte dos foragidos foi recapturada na região, com apoio de policiais civis e militares. Tanus não foi localizado desde então.
Tanus dos Santos, foragido
Reprodução/Redes sociais
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g1 > Rondônia

