Engajamento comprado, falso (Imagem ilustrativa) Foto: IAChat GPT
Tenho reparado numa coisa deprimente — e não, não é política. Política ao menos pressupõe seres humanos. O que vejo hoje no Instagram parece outra coisa: uma procissão mecânica de perfis vazios, fotos roubadas, comentários idênticos, patriotismo de Ctrl+C e indignação programada. Bots para Flávio, bots para Lula, bots para qualquer um que pague a conta. Um teatro de marionetes digitais tentando simular paixão popular. E a plateia fingindo que acredita.
No X, Elon Musk vive falando em remover centenas de bots por minuto. Duzentos, trezentos, tanto faz. Pelo menos existe o constrangimento público de admitir que a praga existe.
Já no Instagram, a sensação é a de uma cidade abandonada onde os robôs tomaram os bares, os comícios e os aplausos. Você entra nos comentários e encontra o mesmo entusiasmo plastificado, a mesma histeria industrial, como se a opinião pública tivesse sido terceirizada para uma fazenda clandestina de cliques.
E o mais ridículo é que quase sempre dá para perceber. Não é orgânico. Não tem cheiro de gente, nem contradição humana, nem espontaneidade. Só aquela coreografia artificial de perfis surgindo ao mesmo tempo para inflar ego de candidato e fabricar relevância. É feio.
Feio porque é falso. Feio porque transforma apoio político em efeito especial barato. E feio porque revela uma verdade desconfortável: tem gente que prefere comprar aplauso a merecê-lo.

