(Imagem ilustrativa) Foto: IAChat GPT
Há uma direita que adoeceu e virou matilha, e o tumor tem nome: caráter corrompido pelo hábito. Quem mente mil vezes não escolhe mais mentir, mente como respira, e arrancar dele a mentira é arrancar a identidade, motivo pelo qual defende com unhas e dentes não a tese, mas a tara.
Crava uma versão em março, esquece em maio quando ela vira contra o aliado; avalia a empresa em fortuna na segunda e em trocados na sexta conforme convém; apresenta três explicações para o mesmo evento numa única semana e nenhuma precisa ser verdadeira, todas precisam apenas ser úteis.
O logos foi substituído pelo clique, e clique não exige coerência, exige escândalo de 15 em 15 minutos.
Some-se a regressão da matilha: o homem maduro delibera e responde pelos próprios atos, o membro da matilha late junto, morde junto, troca de alvo na milésima de segundo em que o líder aponta o próximo pescoço, regressão ao estágio anterior à pólis, antes do logos, antes do que faz do bípede animal racional. Por isso não toleram régua única, porque régua exige imparcialidade e imparcialidade é impossível dentro do regime mental da alcateia.
E há a parte que ninguém quer encarar: não é militância, é negócio. Grito é commodity, escândalo é produto de prateleira, exílio é estratégia de localização tributária, paga-se aluguel em dólar com indignação produzida em real.
Quando a doença é industrial, sermão não cura, vergonha não cura, porque vergonha pressupõe alma íntegra e a alma da matilha já se fragmentou em compartimentos estanques; cada um servindo a um interesse, todos respondendo ao mesmo dono, o bolso. É câncer porque devora o tecido sadio em volta, contamina o eleitor honesto e queima a credibilidade do conservadorismo decente.
Só responde a duas terapias: ou se extirpa por concorrência limpa, ou metastatiza e mata o organismo inteiro. A régua única é o bisturi, e quem não tem coragem de empunhá-la será cúmplice da necrose, e o desfecho da necrose é matemático, não retórico: a matilha entrega a eleição de bandeja ao próprio algoz e ainda cobra Pix do eleitor honesto para financiar a derrota do ciclo seguinte.

