NAMORAR OU CELULAR?
Antigamente era bonito
Ver a praça se enfeitar,
O jovem botava roupa
Pra sair e conversar;
Hoje procura tomada
Pra poder se conectar.
Antes mandava bilhete,
Com cuidado e emoção;
Hoje manda uma figurinha
Sem nenhuma explicação;
O coração ficou pequeno
Dentro de uma conexão.
Na praça tinha namoro,
Tinha banco e luar;
Tinha conversa sem pressa,
Tinha jeito de olhar;
Hoje o jovem sai de casa
Procurando Wi-Fi no ar.
Antes havia serenata,
Flor roubada do jardim;
Um sorriso demorava
Pra chegar até o fim;
Hoje a noite vai embora
No teclado e no “sim”.
O rapaz ficava ansioso
Pra menina aparecer;
Hoje espera uma mensagem
Na tela do celular acender;
E, se o sinal fica fraco,
Já começa a padecer.
A moça ia para a praça
Com perfume e coração;
Hoje passa a madrugada
Rolando tela na mão;
E o amor vai se perdendo
No meio da distração.
Antes se olhava nos olhos,
Sem pressa de terminar;
Hoje se olha para a tela,
Sem vontade de largar;
Trocaram o banco da praça
Pelo brilho do celular.
A conversa era demorada,
Tinha riso e timidez;
Hoje tudo é abreviado,
Sem ternura, sem talvez;
O “eu gosto de você”
Virou emoji de uma vez.
Não sou contra a tecnologia,
Ela ajuda, eu sei também;
Mas quando domina a vida,
Rouba aquilo que faz bem;
Afasta quem está perto
E aproxima não sei quem.
Que volte a praça florida,
Que volte o bom conversar;
Que os jovens larguem a tela
Para a vida encontrar;
Pois nenhum sinal de Wi-Fi
Substitui o verbo amar.
Moiseis Oliveira da Paixão
Fonte: Tribuna Popular

