O MINI PÃO DE CADA DIA
Fui cedo até a padaria,
Com vontade de comer,
Mas o pão veio tão pequeno,
Que mal dava para ver;
Procurei dentro do saco,
Com receio de perder.
Perguntei ao atendente:
— Esse pão não vai crescer?
Ele disse: — Foi o fermento,
Que não quis obedecer!
Hoje acordou preguiçoso,
Sem vontade de render.
O padeiro, lá do fundo,
Veio logo explicar:
— Eu me enganei na receita,
Não consegui calcular!
Coloquei pouca farinha,
Para a massa não pesar.
Outro disse: — É o tempo frio,
Que atrapalha a produção;
Quando a madrugada esfria,
Não se anima nem o pão!
Ele entra grande no forno,
Mas encolhe de aflição.
A gerente, muito séria,
Deu também sua versão:
— Foi a água que estava fraca,
Sem a devida pressão!
E o pãozinho, com vergonha,
Não cresceu na assadeira, não.
Um freguês falou sorrindo:
— Isso é falta de oração!
Tem que orar pelo fermento,
Pela massa e pelo pão!
Pois milagre, minha gente,
Também serve à produção.
Mas a causa verdadeira
Ninguém quis logo contar:
Se aumentassem o preço,
O freguês ia reclamar;
Diminuíram foi o pão,
Para o preço conservar.
O valor ficou o mesmo,
Bem bonito no balcão;
Só o pão perdeu tamanho,
Peso, força e dimensão!
Antes dava para a família,
Hoje é só degustação.
O pão francês de antigamente
Era forte e respeitado;
Enchia toda a sacola,
Era grande e bem dourado;
Hoje parece um biscoito,
Muito leve e assustado.
Comprei dez e fui embora,
Pensativo pelo chão:
Dez pãezinhos na sacola,
Pareciam cinco, então!
Até o vento carregava,
Se eu abrisse a minha mão.
Lá em casa, minha esposa
Perguntou: — Cadê o pão?
Eu mostrei aquela amostra,
Quase usando uma ampliação;
Ela disse: — Isso é migalha,
Disfarçada de promoção!
Agora, quando vou comprar,
Faço logo uma oração:
— Que o fermento esteja forte,
E inspirado o cidadão;
Pois o preço continua grande,
Mas ficou pequeno o pão!
É o mini pão de cada dia,
Que encolheu sem explicação;
Para o preço não subir,
Diminuíram foi o pão;
Se continuar desse jeito,
Vão culpar a inflação!
Moiseis Oliveira da Paixão
Fonte: Tribuna Popular

