Painel, em rua no Rio de Janeiro, torcida preparada para a Copa do Mundo Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Escrevi este texto antes do jogo do Brasil contra Marrocos, portanto, eu não sei se a Seleção Canarinho ganhou ou perdeu a partida. Contudo, ao sair pelas ruas de Niterói antes da peleja, pude testemunhar a população unida e vestida de verde e amarelo.
Num tempo de polarização política, onde “mortadelas” e “coxinhas”, direita e esquerda, brigam e discutem por suas ideologias políticas, ver o povo unido pelo Brasil, ainda que motivado por uma partida de futebol, é gratificante.
Isso me faz lembrar de um episódio ocorrido no Santos de Pelé.
Conta a história que no dia 4 de fevereiro de 1969, o escrete santista estava em uma excursão pela África indo jogar em Benin City, na Nigéria, que, na ocasião, estava absorta num conflito sangrento entre o governo federal nigeriano e a região separatista de Biafra. Segundo relatos da época, ambos os lados teriam concordado com um cessar-fogo temporário de 48 horas para que o povo pudesse assistir ao jogo do Santos contra uma seleção local.
Pois é, o futebol tem dessas coisas não é mesmo? Assim, salvo as suas proporções, é claro, vemos no Brasil de hoje pessoas distintas, imbuídas do mesmo “espírito” cujas “brigas” deram lugar a “torcida”; as divisões ao “pachequismo”; o espírito de beligerância política ao desejo de juntos gritarmos: “É Hexa!” É Hexa!
Vamos Brasil!

