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Lula, um liberal disfarçado de esquerdista… Quem acredita?

Presidente Lula, na Cúpula do G7 Foto: Ricardo Stuckert / PR
O tempo tem o hábito de desmontar narrativas. E, às vezes, faz isso pela boca de quem as construiu. Na Cúpula do G7, na França, Lula deixou escapar uma frase curiosa: “Eu nunca fui esquerdista”. A declaração, ainda que informal, expõe uma contradição difícil de ignorar.
Durante décadas, Lula foi “vendido” como o grande símbolo da esquerda latino-americana. Fundador de alianças ideológicas, defensor de governos autoritários sob o pretexto de justiça social e porta-voz de uma retórica baseada na luta de classes. Agora, no entanto, tenta se reposicionar como alguém distante desse campo político?
Lula seria um liberal, então?
Mas essa tentativa esbarra em um problema básico, pois o liberalismo não é um rótulo conveniente, é uma tradição política fundada na limitação do poder, na defesa das liberdades individuais, na segurança jurídica e na livre circulação de ideias. Como argumentava John Locke, a liberdade existe justamente para conter os excessos do Estado. E é aqui que a incoerência aparece.
Onde está o Lula liberal quando seu governo pressiona plataformas digitais, flerta com mecanismos de regulação da informação e relativiza a liberdade de expressão? Onde está esse suposto apreço pelas liberdades quando o discurso oficial trata a divergência como ameaça?
A verdade é que o episódio do G7 parece menos uma revelação ideológica e mais uma operação de reposicionamento. Lula percebeu que a esquerda tradicional perdeu força no mundo, que o discurso revolucionário envelheceu e que o pragmatismo eleitoral exige novas roupas. Além disso, parecia deslocado no encontro, como quem precisava forçar uma aproximação com Donald Trump em meio às crescentes tensões institucionais entre Brasil e Estados Unidos.
Havia ali um desconforto visível, talvez impulsionado pelo desgaste neste ano eleitoral ou por preocupações mais profundas. Não se sabe se isso guarda relação com a recente decisão americana de enquadrar facções como o PCC e o Comando Vermelho em listas de organizações terroristas, mas chama atenção o fato de Lula aparentar mais inquietação com os “bandidos” do que com as próprias taxações impostas pelos Estados Unidos (de novo).
George Orwell dizia que a linguagem política serve muitas vezes para fazer mentiras parecerem verdades. No caso de Lula, ela parece servir para adaptar velhas convicções a novas conveniências.
Ironia à parte, sabemos que Lula nunca foi liberal, assim como jamais foi o revolucionário que dizia encarnar. Sempre foi, antes de tudo, um político moldado pela conveniência de cada momento.


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