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Guia completo sobre canetas emagrecedoras

Caneta emagrecedora (Imagem ilustrativa) Foto: Freepik
O artigo hoje será um pouco maior, mas quero dar o maior número de delhes possíveis, até porque, muita gente me pergunta: “Doutor, quantas ‘canetas emagrecedoras’ existem hoje no mercado?” E aqui vou falar das canetas “oficiais” — não as que chegam do nosso estimado país vizinho.
O fato é que, com tantos lançamentos novos, é natural que o paciente fique confuso. Ozempic, Wegovy e Mounjaro já fazem até parte do imaginário popular, mas recém-chegados como Poviztra, Extensior e Ozivy ainda são recebidos com surpresa pelos pacientes.
Por isso, vou passar em revista as principais “canetas emagrecedoras” disponíveis hoje, explicando de forma simples como elas funcionam, em que situações costumam ser usadas e quais cuidados precisam ser observados durante o tratamento.
Mais do que uma lista de nomes, a minha ideia é trazer um pouco da minha experiência prática no consultório: o que vejo funcionar bem, onde os pacientes costumam errar e por que o acompanhamento médico continua sendo imprescindível.
O que são “canetas emagrecedoras”?
As chamadas “canetas emagrecedoras” são medicamentos injetáveis, geralmente aplicados por via subcutânea, que atuam em mecanismos ligados à fome, saciedade, esvaziamento gástrico e controle metabólico.
Na prática, elas ajudam o paciente a se sentir satisfeito com menor quantidade de comida e, em muitos casos, melhoram parâmetros metabólicos importantes, como glicemia, resistência insulínica e risco cardiovascular.
Mas é importante dizer: não são todas iguais.
Algumas foram desenvolvidas inicialmente para o tratamento do diabetes tipo 2. Outras têm indicação específica para obesidade e sobrepeso com comorbidades. Algumas são de aplicação diária. Outras, semanal. Algumas atuam apenas no receptor de GLP-1. Outras, como o Mounjaro, atuam em mais de uma via hormonal.
Além disso, os estudos científicos são muito diferentes em relação às aplicabilidades. Uma medicação pode se mostrar muito vantajosa na apneia do sono; outra pode parecer mais interessante para o fígado gorduroso. E por aí vai.
Os perfis de aplicabilidade são bem distintos. Por isso, colocar tudo no mesmo saco e chamar apenas de “canetinha para emagrecer” é uma simplificação bem perigosa.
Como funcionam as “canetas emagrecedoras”?
A maior parte dessas medicações atua imitando ou potencializando hormônios intestinais envolvidos na saciedade e no metabolismo da glicose.
O mais conhecido é o GLP-1, um hormônio produzido naturalmente pelo intestino após a alimentação. Ele ajuda a aumentar a saciedade, reduz a velocidade de esvaziamento do estômago, melhora a resposta da insulina e reduz a produção inadequada de glicose pelo fígado.
Na prática, o paciente costuma relatar que pensa menos em comida, sente menos fome e consegue parar de comer antes. Isso é algo muito poderoso! Mas também explica por que algumas pessoas passam mal quando usam a medicação usada sem orientação.
Isso quer dizer que, se a pessoa come pouco demais, bebe pouca água, pula proteína, não treina e não faz acompanhamento, ela pode perder peso, sim. Mas pode perder junto massa magra, disposição, cabelo, força e saúde.
Então, o objetivo não é simplesmente pesar menos; mas é emagrecer melhor.
Quais são as principais “canetas emagrecedoras”?
Hoje, quando falamos em “canetas emagrecedoras”, estamos falando principalmente de medicamentos como Saxenda, Ozempic, Wegovy, Mounjaro, Poviztra, Extensior e Ozivy. Mas aqui cabe uma observação importante: não são todas iguais!
Algumas são aprovadas para obesidade e controle crônico do peso. Outras são voltadas ao tratamento do diabetes tipo 2, embora possam gerar perda de peso como efeito associado.
Por isso, vamos entender direitinho o que existe no mercado brasileiro hoje.
Saxenda: a primeira caneta aprovada para obesidade
O Saxenda, cujo princípio ativo é a liraglutida, foi uma das primeiras canetas que popularizou o tratamento medicamentoso moderno da obesidade. É uma medicação de aplicação diária e atua como agonista do receptor de GLP-1.
Eu prescrevo Saxenda desde o seu lançamento em 2016 e, na época, quando eu dizia aos pacientes “tem essa caneta aqui que emagrece”, era possível ver o olhar de incredulidade deles, pois era uma tecnologia desconhecida de 99% dos brasileiros. A incredulidade acabava, claro, quando eles voltavam no mês seguinte com menos quatro ou cinco quilos.
O aumento do preço, conjugado ao aparecimento de medicações mais eficazes, com maior potência e menos efeitos adversos, como o Wegovy, apagou um pouco o “brilho” do Saxenda.
Não obstante, eu tive a alegria de acompanhar pacientes que eliminaram 30, 40 quilos com o seu uso, aliado, é claro, à mudança de hábitos.
Ozempic: a caneta que virou fenômeno
O Ozempic, cujo princípio ativo é a semaglutida, foi aprovado inicialmente para o tratamento do diabetes tipo 2. As doses do Ozempic são de 0,25 mg, 0,5 mg e 1 mg.
Embora ele tenha sido o principal responsável pela “popularização” desta classe de medicamentos, ele não “nasceu” como medicamento para obesidade. Ele é, originalmente, uma medicação para diabetes tipo 2.
Wegovy: semaglutida voltada ao tratamento da obesidade
O Wegovy também é semaglutida, mas as doses são de 0,25 mg, 0,5 mg, 1 mg, 1,7 mg e 2,4 mg.
A diferença é que ele possui em bula a indicação para o tratamento da obesidade.
Na verdade, entre o Ozempic e o Wegovy, nas doses partilhadas de 0,25 mg, 0,5 mg e 1 mg, a diferença é apenas o nome comercial.
Pode parecer esquisito, mas é uma prática comum lá fora, nos Estados Unidos, renomear os produtos de acordo com o grupo populacional que eles buscam atingir.
O Mounjaro, por exemplo, nos EUA, existe com dois nomes comerciais: Zepbound, para obesidade, e Mounjaro, para diabéticos. Mas o Zepbound jamais chegou ao Brasil.
Hoje, o Mounjaro acumula as duas indicações em bula: obesidade e diabetes. E por falar no dito cujo…
Mounjaro: a tirzepatida e a nova geração de medicamentos
O Mounjaro, cujo princípio ativo é a tirzepatida, representa uma nova etapa no tratamento medicamentoso da obesidade e do diabetes tipo 2. Ele atua em duas vias, GLP-1 e GIP, que são peptídeos intestinais que modulam a fome e a saciedade. Então ele é mais potente.
No entanto, isso não quer dizer que ele seja o primeiro medicamento ou o medicamento de escolha para todos os pacientes.
Na época em que só havia Saxenda, muitos pacientes emagreciam 30 quilos ou mais com o Saxenda, que era um remédio, digamos assim, pobre em relação aos atuais. Mas era o que tinha — e as pessoas emagreciam com ele.
Hoje existem muitas outras opções, como este artigo demonstra, para o paciente com obesidade.
No Brasil, o Mounjaro está disponível nas doses de 2,5 mg, 5 mg, 7,5 mg, 10 mg, 12,5 mg e 15 mg.
A faixa de preço vai, aproximadamente, de R$ 1.400 a R$ 3.400, variando conforme a dose, a farmácia e os programas de desconto.
Recentemente foi divulgado que existem estudos para as doses de 17,5 mg e 20 mg, mas ainda não existe nada de concreto para uso rotineiro no mercado.
A grande questão do Mounjaro é realmente o custo e a acessibilidade. Ao contrário da semaglutida, que teve a queda de patente em março de 2026, a patente do Mounjaro está firme e forte e deve continuar por mais alguns anos.
Poviztra, Extensior e Ozivy: a nova fase da semaglutida no Brasil
Depois do Ozempic, do Wegovy e do Mounjaro, começaram a chegar ao mercado brasileiro opções que talvez representem uma nova fase: a fase da maior acessibilidade.
Como fruto de uma parceria entre a Novo Nordisk, fabricante do Ozempic e do Wegovy, com a Eurofarma, as canetas Poviztra e Extensior chegaram quase sem alarde no final do ano passado, mas vieram a chamar atenção este ano com o lançamento do programa EuroCuida, que reduziu preços de uma forma até então pouco vista no mercado brasileiro.
De acordo com o programa do laboratório, no qual o paciente se cadastra, a medicação pode custar tão pouco quanto R$ 399; esses são dados agora, do mês de junho.
Recentemente, inclusive, a Eurofarma anunciou nova redução dos preços, mas eu mesmo ainda não consegui entender exatamente para quanto vai.
Para mim, como médico, quanto mais pacientes tiverem a oportunidade de se tratar, melhor. Melhor para a saúde do paciente e melhor, evidentemente, para a saúde pública como um todo.
No dia 15 de junho, estreou no mercado a Ozivy, a semaglutida da EMS, que se diferencia das demais por dois pontos: primeiro, por ser brasileira e de produção nacional; segundo, por ser sintética, e não biológica como as anteriores.
A estratégia comercial da EMS, anunciando preços tão baixos quanto R$ 297, pode inaugurar uma nova era de acessibilidade ao tratamento antiobesidade no nosso país.
E vem mais por aí… Recentemente, a Anvisa também aprovou a fabricação de semaglutida pelo laboratório Cristália, com previsão de chegada ao mercado possivelmente em agosto.
Então, muito provavelmente, teremos vários novos medicamentos à base de semaglutida no mercado brasileiro até o final do ano, com custos presumivelmente decrescentes, dada a competição.
Mas aí é que está: apenas tomar remédio não emagrece — pelo menos não emagrece de forma saudável. A mudança de hábitos alimentares, o estilo de vida, o acompanhamento médico, a avaliação por bioimpedância e os exames laboratoriais continuam sendo de suma importância.
Eu costumo brincar com os meus pacientes que a cadeira do meu consultório é “mágica”. Só de sentar na cadeira do meu consultório, eles já emagrecem, porque praticamente a quase totalidade dos meus pacientes perde peso. Mas os que ficam magros são aqueles que realmente mudam hábitos, conseguem rever comportamentos e sustentar essa mudança.
Emagrecer e “tornar-se magro” são dois tratamentos distintos, que ocorrem em paralelo. Mas, infelizmente, uma boa parte dos pacientes alcança apenas um. Esse é o grande desafio que temos no dia a dia do consultório.
Qual é a melhor “caneta emagrecedora”?
Na medicina, como em quase tudo na vida, a resposta para essa questão é um inequívoco: “depende”.
Sim, depende do peso, da composição corporal, da presença ou não de diabetes, da hemoglobina glicada, da presença ou não de gordura no fígado, dos medicamentos já em uso, se o paciente já fez ou não alguma medicação para emagrecer, da acessibilidade em termos de custo e da tolerância aos efeitos gastrointestinais.
A melhor caneta não é necessariamente a mais famosa, nem a “última do mercado”, nem a mais cara. É a mais adequada àquele paciente, naquele momento, com aquele objetivo.
Por isso, a pergunta mais certa geralmente não é: qual é a melhor caneta? A pergunta mais certa é: qual é a melhor estratégia para mim?


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