Dois terremotos de grande intensidade atingiram o norte da Venezuela na noite de quarta-feira (24), com intervalo de apenas 40 segundos entre si. O primeiro, de magnitude 7,2, teve epicentro próximo a San Felipe, capital do estado de Yaracuy. O segundo, e mais destrutivo, alcançou magnitude 7,5 e atingiu a região de Yumare, no mesmo estado.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, divulgou nesta quinta-feira (25) um balanço de 164 mortos e 971 feridos, com advertência de que os números seguem em atualização à medida que as equipes de resgate avançam nos escombros.
Dimensão do desastre
Foto: RS/Fotos Públicas
O estado de La Guaira, no litoral norte do país, foi declarado zona de catástrofe. Rodríguez afirmou que a região enfrenta “uma verdadeira tragédia”. São dezenas de prédios que desabaram, incluindo um grande hotel à beira-mar na cidade de Macuto, que foi reduzido a escombros. O Aeroporto Internacional Simón Bolívar, em Maiquetía, que serve a capital Caracas, sofreu danos severos à infraestrutura e teve as operações suspensas.
Vídeos divulgados nas redes sociais mostram nuvens de poeira, fachadas em colapso e moradores em pânico nas ruas de Caracas, Miranda, Aragua, Carabobo, Trujillo e Falcón. Os tremores foram sentidos também na Colômbia e no norte do Brasil.
Projeção do USGS
O Serviço Geológico dos Estados Unidos classificou o desastre como potencialmente catastrófico. O sistema automático PAGER, utilizado pelo órgão para estimar impacto humanitário de grandes sismos, projeta entre 10 mil e 100 mil mortes, com 44% de probabilidade de o número ficar nessa faixa e 33% de probabilidade de superar 100 mil óbitos. A projeção leva em conta magnitude, profundidade dos epicentros, densidade populacional e vulnerabilidade das construções. Os dois sismos ocorreram a baixa profundidade, fator que amplifica a intensidade dos tremores na superfície e explica a extensão dos danos registrada em vários estados simultaneamente.
Resposta internacional
Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos, anunciou o envio imediato de equipes de resgate e auxílio humanitário por determinação de Donald Trump.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, manifestou solidariedade da União Europeia.
A China, parceira estratégica do regime de Nicolás Maduro, declarou estar “disposta a oferecer assistência dentro de suas capacidades.”
O presidente Lula publicou que instruiu o Ministério das Relações Exteriores a avaliar, junto à embaixada brasileira em Caracas, a situação no país e as medidas de apoio possíveis.
Rodríguez, à frente da Venezuela, anunciou coordenação com o Fundo Monetário Internacional para constituir um fundo inicial de 200 milhões de dólares destinado à reconstrução.
Mapa da tragédia
O desastre atinge um país que já enfrentava colapso econômico e institucional antes dos terremotos. A Venezuela acumula anos de crise com escassez de alimentos, deterioração da infraestrutura hospitalar, êxodo de mais de seis milhões de pessoas e um governo que opera sob sanções internacionais. A liga entre construções antigas e sem padrões sísmicos adequados, infraestrutura degradada e sistema de saúde sucateado torna o país particularmente vulnerável a desastres dessa magnitude.
O último terremoto de grande porte a atingir a Venezuela foi em 1997, com magnitude 6,8, e deixou cerca de cem mortos. Os terremotos de quarta-feira (24) são os mais poderosos a atingir a Venezuela em mais de um século, segundo autoridades do país. A sequência de dois sismos consecutivos de magnitude acima de 7, ambos a baixa profundidade e em área densamente poblada, produziu um padrão de destruição que as autoridades ainda não conseguiram dimensionar completamente. O número oficial de mortos, 164, deve crescer conforme as equipes de resgate alcançam regiões de difícil acesso nos estados atingidos.
Fonte: Conexão Política

