Michelle Bolsonaro, em pronunciamento Foto: Print @michellebolsonaro
Eu acabei de assistir integralmente aos vídeos publicados pela Michelle Bolsonaro; quero analisá-lo: comecemos pelos símbolos.
Na mesa ao seu lado, ganha um destaque a Estrela de Davi, que é um símbolo judaico da relação de Deus com o homem, invocando proteção divina, muito utilizado por evangélicos. Há a mão dourada, fazendo o gesto de “eu te amo” na língua americana de sinais. Ou seja, a mensagem publicada por Michelle seria fundamentada na fé e no amor.
Na roupa, palavras como “alegria”, “paz” e “amor” aparecem, reforçando a intenção da mensagem. Além da utilização de uma caneta BIC, objeto que marcou o mandato do seu marido, sendo lembrado como prova da humildade de Bolsonaro.
Agora, vamos ao conteúdo. O discurso pode se resumir a pedidos de coerência, respeito e educação.
• Coerência: se defendemos valores, e estes valores são incorporados por um candidato em um determinado estado, não faz sentido algum que, por pragmatismo político, apoiemos outro que tanto nos atacou, especialmente já no primeiro turno.
• Respeito: as decisões tomadas devem ser respeitadas. O espaço matrimonial deve ser respeitado. A imagem de Michelle como esposa deve ser preservada. Isso quer dizer que, ataques orquestrados por familiares ou pessoas de direita, o chamado “fogo amigo”, não serão mais tolerados e encontrarão resposta na mesma medida.
• Educação: não se fala com a madrasta que cuida do seu pai, que se encontra em extrema debilidade física e emocional, como se estivesse falando com um adolescente de 14 anos que pretende ditar normas.
Não se fala com a presidente nacional de um partido, no âmbito das mulheres, como se ela fosse uma pessoa de somenos importância.
Não se fala com ninguém com arrogância, soberba e orgulho.
Entendo que o discurso de Michelle não fecha portas, não impede a reconciliação, não obsta sua participação ativa na campanha, mas emite uma mensagem clara: ou vocês passam a agir de forma coerente, respeitosa e educada, ou não contem comigo.
Por fim, do ponto de vista político, nós temos uma constatação: se amanhã, ou depois, outro escândalo de Flávio vier à tona e tornar a sua candidatura inviável, a direita já tem substituta.

