General Tomás Paiva afirma que a Força está preparada para ampliar o apoio ao combate ao crime organizado, incluindo operações de fronteira, inteligência, logística e missões de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), desde que dentro do amparo legal.
Militares do Exército Brasileiro durante operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) na COP30, em Belém (PA)
O Comandante do Exército, General Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva, negou em entrevista à CNN que a Força Terrestre resiste em atuar contra o crime organizado no Brasil, alvo de um duro golpe dos Estados Unidos que classificou o PCC e o CV como organizações terroristas recentemente.
Ao ser questionado pelo jornalista William Waack sobre qual lugar o combate ao crime organizado tem nas estratégias do Exército para combater ameaças internas e externas, Paiva aproveitou para tentar desmistificar o tema. A entrevista aconteceu no dia 16 de junho e pode ser assistida na íntegra pelo YouTube.
“[O combate ao crime organizado] tem um lugar muito importante na nossa ideia de ameaça. Às vezes, as pessoas acham que a gente resiste em algum momento a atuar”, argumentou o Comandante do Exército.
Atuação nas fronteiras, GLOs e apoio logístico e de inteligência
Depois de citar suas experiências como Comandante em operações de pacificação no Complexo da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, e em missão internacional da ONU (Organização das Nações Unidas) no Haiti, o Comandante do Exército afirmou que a Força tem “3 aspectos que são muito caros” em relação à atuação na segurança pública, previstos na Constituição e em outras leis.
1 – A atuação na faixa de fronteira, a qual o portal Revista Sociedade Militar dedicou reportagem no último dia 21 de junho
2 – GLOs (Operações de Garantia da Lei e da Ordem)
3 – Apoio às operações de Segurança Pública
Sobre as GLOs, o General de Exército lembrou que já foram executadas mais de 100 ao longo da história do Brasil.
“As pessoas lembram das mais famosas, que foram do Complexo da Penha e do Alemão, que durou 1 ano e 8 meses, ou no Complexo da Maré, que durou 1 ano e 4 meses, mas tiveram várias outras que foram muito exitosas. Como quando houve greve da Polícia Militar no Espírito Santo ou nos grandes eventos, como reunião do G20 e reunião do Brics, com grande apoio da população e sem nenhuma intercorrência”.
Especificamente sobre a intervenção federal no Espírito Santo, houve intercorrência. Um adolescente de 17 anos foi morto com um tiro de fuzil na cabeça disparado por um militar do Exército em um bairro da cidade de Cariacica, na Região Metropolitana de Vitória. Na época, o governo federal alegou que o adolescente morreu em confronto, fato negado por familiares e moradores.
General pressiona fóruns políticos
Em seguida, ainda sobre o assunto de GLOs, o Comandante do Exército chamou à responsabilidade o poder político.
“O problema é que isso [GLOs] é sob demanda do poder político, por uma iniciativa de um dos Poderes e por aprovação do Comandante Supremo [presidente da República] em qualquer circunstância. Mas nós estamos prontos para atuar. Não há problema de atuar”.
Em outubro de 2025, após operação isolada da Polícia do Rio que matou mais de 120 pessoas na Zona Norte do Rio de Janeiro, a imprensa, incluindo o portal Revista Sociedade Militar, noticiou que a cúpula das Forças Armadas descartou colocar tropas nas ruas cariocas sem um decreto de GLO. Os militares temiam destacar tropas sem o devido amparo legal, por não terem treinamento para combater violência urbana.
Forças Armadas perdem espaço político para Polícias
Na época, os militares das Forças Armadas foram muito criticados pela população nas redes sociais por não participarem da megaoperação policial, mesmo não tendo sido convocados. “Cara, se estourar uma guerra neste país, sabemos com quem contar. Os verdadeiros guerreiros, soldados do Bope”, dizia um dos comentários mais curtidos no Facebook do Exército.
Além disso, hoje o Exército e as demais Forças Singulares enfrentam o paradigma de comporem a instituição com menor credibilidade junto à população brasileira, segundo dados de pesquisa Atlas Intel divulgados em março deste ano.
Com um índice de 27% da parcela dos entrevistados dizendo confiar muito nas Forças Armadas, o Exército, a Marinha e a FAB ficam atrás de Polícia Federal (56%), Polícia Civil (55%), Polícia Militar (55%), governo federal (37%), Supremo Tribunal Federal (35%), entre outras. Levantamento inédito feito pelo portal Revista Sociedade Militar e divulgado em 2 de maio mostrou que a desconfiança dos brasileiros nas Forças Armadas chegou ao maior nível dos últimos 30 anos.
Exército não precisa de ordem para apoiar segurança pública, diz Comandante
Tomás Paiva, no entanto, declarou que o Exército pode fazer operações de apoio à segurança pública relacionados à logística e inteligência e controle independentemente de ordem, desde que previamente negociadas em fóruns políticos.
“Se quiserem aumentar nossa atuação na faixa de fronteira, se quiserem ampliar o escopo do nosso apoio logístico, não há problema nenhum. A gente tá pronto para atuar. É uma demanda que atinge um ativo fundamental para nós que é a nossa população. Então não há nenhum preconceito contra essa missão que está prevista no texto constitucional”. (Revista Sociedade Militar)
Fonte: Tribuna Popular

