Coluna Ponto Crítico – Por Felipe Corona
Para aumentar ainda mais a indignação da classe que o ex-governador em exercício Marcos Rocha diz pertencer, tal do capitão Pitomba ainda recebeu maior honraria da PM com apenas dois dias de permanência em Porto Velho
Desvalorização
Durante reunião da Comissão de Segurança Pública (CSP) da Assembleia Legislativa de Rondônia (ALE-RO), o Governo do Estado finalmente colocou na mesa uma informação que caiu como um balde de água fria para policiais e bombeiros militares: não há previsão orçamentária para garantir promoções à categoria em 2026.
Desvalorização 2
O encontro, conduzido pelo deputado Jesuíno Boabaid (PSD), discutia justamente uma alternativa para destravar a carreira de praças que aguardam há anos por valorização profissional. Mas, enquanto a tropa espera reconhecimento, a resposta do governo foi a velha conhecida: falta dinheiro.
Desvalorização 3
A justificativa veio por meio de representantes da Secretaria de Planejamento (Sepog), Secretaria de Finanças (Sefin) e Contabilidade Geral do Estado (Coges), que alegaram limitações fiscais e afirmaram que qualquer aumento de despesa com pessoal sem previsão financeira poderia contrariar a legislação.
Desvalorização 4
“Hoje não existe margem fiscal para aprovar projetos que gerem impacto na folha de pagamento”, afirmou um representante da Coges. A secretária da Sepog, Beatriz Mendes, também apontou falhas no projeto original, alegando ausência de estudos completos sobre impacto financeiro e declaração formal de viabilidade.
Massa de manobra
A explicação, no entanto, aumenta o desgaste dentro de uma categoria historicamente usada como bandeira política pelo governador Marcos Rocha (PSD), que construiu parte de sua imagem pública em cima da farda. Ou seja aquilo que eu sempre falo: nunca comandou um batalhão, companhia ou pelotão, mas gosta de ser chamado de coronel.
Massa de manobra 2
O detalhe lembrado nos bastidores é que o “coroné” de arraial que sempre exalta a segurança pública agora governa um Estado que diz não ter dinheiro para promover policiais. Justamente aqueles que estão diariamente nas ruas enfrentando criminosos.
Massa de manobra 3
Curiosamente, o aperto financeiro parece atingir apenas algumas áreas. Enquanto promoções travam por falta de orçamento, a máquina pública segue bancando uma rotina intensa de viagens, agendas oficiais e despesas administrativas. Para a tropa, fica a sensação de que, na hora do discurso, segurança pública é prioridade; mas, na fila do orçamento, acaba esperando.
Só agá
Para evitar que o projeto seja simplesmente engavetado, o governo apresentou como saída a criação de uma “trava fiscal”. Na prática, a Assembleia poderá aprovar a reorganização das vagas, mas isso não significa promoção automática.
Blá-blá-blá
Ou seja: o policial poderá cumprir etapas, fazer curso, aguardar na fila e continuar esperando até que o governador edite um decreto autorizando a progressão. Desde que, um dia (sabe Deus quando), apareça disponibilidade financeira. Isso se o desgoverno Marcos Rocha deixar algum trocado nos cofres públicos depois do dia 01 de janeiro. Coisa que eu acho bem difícil.
Cega
O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Glauber Souto, defendeu a alternativa e lembrou que mecanismo semelhante foi aplicado em projetos envolvendo o Ministério Público e o Tribunal de Contas.
Sem curso
A dificuldade financeira também chegou aos Cursos de Formação de Sargentos (CFS). Segundo informações apresentadas pela Secretaria de Segurança (Sesdec), o Estado não possui atualmente os cerca de R$ 6 milhões necessários para custear quatro turmas previstas.
Sem curso 2
O valor inclui bolsas de estudo, pagamento de instrutores, munições e demais despesas operacionais. Diante da situação, o secretário de Segurança, Hélio Pachá, e o deputado Jesuíno Boabaid apelaram para que parlamentares destinem emendas e ajudem a bancar a formação dos militares.
Socorro parlamentar
Na prática, o governo admite não ter recursos próprios para uma demanda interna da segurança e agora busca socorro no Legislativo para tentar tirar os cursos do papel.
Grana tem…
A justificativa da falta de dinheiro provocou questionamentos durante a reunião. Representantes da categoria lembraram que a arrecadação estadual saltou de aproximadamente R$ 8 bilhões para R$ 18,5 bilhões nos últimos anos.
Falta boa vontade!
O crescimento bilionário das receitas contrasta com o discurso de impossibilidade financeira quando o assunto envolve avanço na carreira dos militares.
Do nada a lugar nenhum
Um sargento classificou a proposta como insuficiente e destacou que o problema estrutural permanece, principalmente pela baixa quantidade de vagas disponíveis para progressão dentro da corporação.
Meia boca
Apesar das críticas, associações decidiram apoiar a proposta como uma solução temporária. A avaliação é que realizar os cursos agora pode deixar os militares preparados para futuras promoções. Caso o governo encontre, em algum momento, espaço no orçamento. Quem sabe se o governador sossegar o faixo um pouco em Rondônia, sobre alguma grana para isso.
Longa espera
Enquanto isso, a tropa segue esperando e o governador voando para o exterior. Afinal, entre discursos de valorização e a realidade da folha de pagamento, existe uma distância que nem sempre cabe em uma continência. Ou quem sabe, entre um voo e outro para a Ásia, Europa ou Estados Unidos, o brilhante desgovernador encontre alguma solução… Eu acho melhor deitarem, para não se cansarem!
Capitão Pitomba
E para dar mais um tapa na cara da corporação da PM de Rondônia, um tal de capitão Pitomba (que se apresenta como comediante) esteve no estado por esses dias fazendo vídeos “educativos” acompanhado pelo próprio coronel Glauber Souto (comandante-geral). Com 3,3 milhões de seguidores somente no Instagram, foi recebido com tapete vermelho por aqui.
Capitão Pitomba 2
Uma das suas primeiras gravações (acompanhado do coronel Glauber) fala sobre como o cidadão deve se comportar quando for abordado por policiais militares. Em uma outra foto, ele aparece “farmando aura” (não sei e nem tenho interesse em saber o que é) com membros do Batalhão de Policiamento Tático de Ação, o famoso BPTAR.
Capitão Pitomba 3
Em outro vídeo, ele aparece dirigindo um ônibus da própria PM-RO, prestando apoio à corporação. Em seguida, há uma cena de uma mulher falando ao celular sobre a presença dele no estado, enquanto dois homens escondem “pacotes” em bolsas colocadas na carroceria de uma caminhonete.
Capitão Pitomba 4
Porém, a revolta maior dos policiais que estão nas ruas, tirando leite de pedra, foi ele receber a mais alta comenda da PM-RO, a medalha do mérito Forte Príncipe da Beira. Isso repercutiu muito em grupos de WhatsApp dos praças (solados, cabos e sargentos), além dos oficiais da corporação.
Brincadeira
Uma das justificativas apresentadas pela PM foi “em reconhecimento aos relevantes serviços prestados à Polícia Militar de Rondônia e à expressiva contribuição para a valorização da imagem institucional da corporação”. Quem publicou o story no Instagram colocou a seguinte legenda: “Isso é uma puta de uma sacanagem com quem dá a sua vida para defender a sociedade”.
Revolta
Um oficial que entrou em contato com a coluna arrematou: “Além de não termos valorização salarial de um suposto coronel que comanda o Executivo, a turma vai lá e em tempo recorde, entrega a mais alta comenda da instituição para um humorista. Se fosse um diploma de amigo da PM, está adequado. Mas isso é brincar com a nossa cara, usando um humorista pra isso”.
Apoio
Presto minha solidariedade aos vários amigos(as) que tenho na PM de Rondônia. Todos eles estão arrependidos de terem votado em um homem que disse que ia valorizá-los. Mas, ultimamente, o coroné de arraial está mais preocupado em saber para onde será a próxima viagem. Não em dar melhores condições de trabalho e muito menos salariais para seus “colegas” de farda.
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Fonte: Tribuna Popular

