Um contingente de 63,9 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais não concluiu sequer a educação básica. O equivalente é de 37,3% da população, segundo levantamento divulgado nesta terça-feira (7) pela Rede EJA e Inclusão Produtiva, formada por 16 organizações da sociedade civil, entre elas Fundação Roberto Marinho, Unesco e Unicef.
O estudo é baseado nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, a Pnad Contínua, de 2025, do IBGE. O número supera a população total de países como África do Sul e Argentina.
Divisão do contingente
O grupo de 63,9 milhões se divide em três subconjuntos com perfis distintos. O primeiro reúne 19 milhões de pessoas sem nenhuma instrução ou com apenas os quatro primeiros anos do ensino fundamental. O segundo agrupa 25,6 milhões que iniciaram o fundamental mas não o concluíram. O terceiro soma 19,3 milhões que terminaram o fundamental mas pararam antes de concluir o ensino médio.
As razões para não retornar à escola variam por gênero. Entre os homens, o principal obstáculo é o trabalho; entre as mulheres, pesam as responsabilidades com filhos, casa e cuidado familiar, o que indica que a simples oferta de vagas não resolve o problema sem mudanças nas condições de acesso.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
EJA que não alcança
A Educação de Jovens e Adultos, a EJA, é a modalidade criada justamente para esse público, mas atende apenas 1,5% da demanda potencial. O número de municípios brasileiros sem nenhuma turma de EJA mais que dobrou entre 2008 e 2024. Três em cada quatro matrículas da modalidade no ensino fundamental e duas em cada três no ensino médio estão concentradas no período noturno, horário que conflita diretamente com as jornadas de trabalho do público que a modalidade deveria alcançar.
Entre 2012 e 2025, a demanda potencial por EJA caiu 16%, mas o estudo aponta que a redução não decorre de aumento no acesso à educação, mas da mortalidade de gerações mais velhas que tiveram menos oportunidades de escolarização.
Custo econômico
O impacto da baixa escolaridade no mercado de trabalho é quantificável. Entre os que não concluíram o ensino fundamental, 43,1% participam do mercado de trabalho, contra 73,5% entre aqueles com ensino médio completo. A formalização também cresce com a escolaridade. 38,4% dos trabalhadores sem fundamental completo têm emprego formal, ante 65% entre os que concluíram o ensino médio.
Uma simulação do próprio estudo estima que o Brasil poderia gerar 66 bilhões de reais adicionais de renda por ano, equivalentes a 0,6% do PIB, se esse contingente tivesse concluído a educação básica. As organizações lançaram nesta terça a Rede EJA e Inclusão Produtiva com o intuito de propor mudanças ao novo Plano Nacional de Educação, que definirá metas para a qualidade do ensino na próxima década.
Fonte: Conexão Política

