spot_img

A interferência interna é o verdadeiro risco às eleições

O jogo político das eleições (Imagem ilustrativa) Foto: IAChat GPT
Enquanto o governo e boa parte da imprensa se ocupam com a suposta ameaça de uma interferência estrangeira destinada a favorecer a candidatura da direita nas eleições brasileiras, o que se observa concretamente dentro do país é uma crescente interferência de autoridades e instituições para, no mínimo, blindar a candidatura governista.
Nos últimos dias, por exemplo, assistimos a um episódio que sugere uma tentativa de, com um novo sorteio, retirar das mãos do diligente ministro André Mendonça investigações envolvendo o filho do presidente Lula. O caso lembra aquele amigo secreto de fim de ano em que alguém tira um nome que não queria e, em vez de aceitar o resultado, devolve o papel ao saco para tentar novamente.
Como se não bastasse, foram noticiadas suspeitas graves de que informações sigilosas de investigações da Polícia Federal, potencialmente comprometedoras para o governo, teriam sido repassadas ao Palácio do Planalto sem o conhecimento de Mendonça.
No campo político, lideranças do Centrão passaram a demonstrar resistência em se aproximar de Flávio Bolsonaro, temendo represálias, especialmente em razão do processo relatado por Flávio Dino sobre as emendas parlamentares.
É possível discutir isoladamente o acerto ou o erro jurídico de cada um desses episódios. Mas é difícil ignorar que, vistos em conjunto, desenham um cenário politicamente favorável ao governo e restritivo ao espaço de atuação da oposição na campanha eleitoral.
E o pior: o debate público promovido por boa parte da imprensa parece reservar espaço apenas a alegadas interferências externas contra o governo, enquanto ignora as pressões concretas produzidas internamente em prejuízo da direita.
Em outras palavras, diariamente instituições e agentes políticos brasileiros movimentam-se em um tabuleiro que produz efeitos reais sobre a disputa eleitoral, mas a imprensa concentra sua atenção quase exclusivamente em ameaças externas hipotéticas.
Não sei se isso decorre de má-fé ou de incapacidade intelectual de parte da imprensa. O que sei é que, enquanto todos olham para a mão do mágico apontando para o exterior, é a outra que realiza o truque: ocultar as interferências internas e construir a narrativa de que a maior ameaça às eleições vem de fora. Talvez essa seja a mais perigosa interferência nas eleições e no debate público brasileiro.
 
* Texto originalmente publicado no Poder360.


Fonte:

+Notícias

Últimas Notícias