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A pedofilia exige uma resposta nacional

(Imagem ilustrativa) Foto: Pixabay
A pergunta que precisa ser feita é dura, mas necessária: quantas crianças ainda precisarão ter suas vidas destruídas antes que o Brasil trate a pedofilia como uma emergência nacional?
A pedofilia é um dos crimes mais covardes e repugnantes que existem. Não há relativização possível. Criança não é objeto, não é propriedade de ninguém e jamais pode ser alvo de criminosos. Criança precisa de proteção, cuidado e justiça.
Todos os dias, o Brasil se depara com notícias de violência contra crianças e adolescentes que revelam uma realidade dolorosa: meninos e meninas violentados, abusados, explorados e submetidos a crimes que deixam marcas profundas para toda a vida, isso quando não são cruelmente mortos.
A sensação de que esses casos estão se tornando cada vez mais frequentes não pode ser ignorada. Os números revelam uma situação alarmante e mostram que o enfrentamento à violência sexual infantil precisa ser tratado como prioridade nacional.
Um levantamento do UNICEF Innocenti, em parceria com a ECPAT Internacional e a INTERPOL, revelou que, em apenas um ano, uma em cada cinco crianças e adolescentes brasileiros de 12 a 17 anos foi vítima de violência sexual facilitada pela tecnologia. O dado representa cerca de 3 milhões de meninas e meninos expostos a crimes como aliciamento, exploração, extorsão e compartilhamento de material abusivo no ambiente digital.
Ou seja, a internet trouxe novas oportunidades, mas também abriu caminhos para criminosos que utilizam redes sociais, aplicativos, jogos on-line e plataformas digitais para se aproximar de crianças, manipular vítimas e esconder seus crimes atrás de uma tela.
Mas, como alguém que há décadas luta pela proteção da infância, sei que essa batalha não começou agora.
Há mais de 20 anos, quando presidi a CPI da Pedofilia no Senado, enfrentamos uma realidade que muitos tentavam esconder. Aquela comissão revelou redes criminosas, investigou a exploração sexual infantil, inclusive no ambiente digital, e ajudou o Brasil a avançar na criação de mecanismos de proteção e responsabilização.
Porém, de lá pra cá, o mundo mudou. A tecnologia avançou. E os criminosos também encontraram novas formas de agir.
Por isso, desde o início deste mandato, tenho defendido a instalação de uma nova CPI da Pedofilia no Senado. O Brasil precisa novamente reunir forças, investigar, ouvir especialistas, identificar falhas e propor medidas para proteger nossas crianças e adolescentes.
O requerimento para a criação da comissão já foi apresentado, mas a instalação ainda aguarda avanços regimentais e as indicações dos integrantes pelos líderes partidários, situação que está sob a responsabilidade do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Ou seja, em um ano eleitoral e diante de uma pauta que ainda não recebe a atenção necessária, ficamos reféns da “boa vontade” política.
Diante de tudo isso, até quando vamos esperar para colocar a proteção das nossas crianças no centro das prioridades?


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