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Após morte de Uribe em atentado, Colômbia vota neste domingo com ‘sósia de Bukele’, filósofo e neta de ex-presidente na disputa

A Colômbia realiza neste domingo (31) o primeiro turno das eleições presidenciais, com votação aberta das 8h às 16h (horário local). O pleito acontece menos de um ano após o assassinato de Miguel Uribe Turbay, senador e pré-candidato de direita baleado três vezes durante comício no parque El Golfito, no bairro Modelia, em Bogotá, em 7 de junho de 2025.
Uribe morreu em 11 de agosto, após dois meses hospitalizado. Tinha 39 anos. Era neto do ex-presidente liberal Julio César Turbay Ayala, que governou a Colômbia entre 1978 e 1982, e filho da jornalista Diana Turbay, sequestrada e morta durante operação de resgate pelo Cartel de Medellín em 1991. O autor dos disparos era um jovem de 15 anos. Seis pessoas foram indiciadas, incluindo suspeitos de cumplicidade. A investigação segue em curso.
Os três principais candidatos
O favorito para o primeiro turno é o senador Iván Cepeda, 65, candidato apoiado pelo presidente Gustavo Petro e pelo partido Pacto Histórico. A última pesquisa Invamer, publicada na quinta-feira (28) pela Blu Radio e Noticias Caracol, dá a ele 44,6% das intenções de voto. Para vencer já no primeiro turno, precisaria de 50% mais um voto. Em segundo lugar na mesma pesquisa aparece Abelardo de la Espriella, com 31,6%. A senadora Paloma Valencia registra 14%.
O ‘Bukele colombiano’
Abelardo de la Espriella, 47, é advogado criminal, empresário e nunca ocupou cargo eletivo. Fundou o movimento Defensores da Pátria e construiu a candidatura como independente, com coleta de assinaturas. Defende militarização intensiva, construção de megapresídios, destruição de plantações de coca e o fim da política de “Paz Total” implementada por Petro.
Na economia, propõe redução do Estado, corte de impostos e uso de inteligência artificial. A combinação gerou comparações com Nayib Bukele, presidente de El Salvador, e com Javier Milei, da Argentina. “Isso vai além da barba e inclui ênfase em segurança e muitos elementos da cartilha da extrema direita, começando pela restauração da ordem”, afirmou o estrategista político Miguel Silva à Americas Quarterly.
A bagagem de De la Espriella como advogado de casos de alta repercussão, seu estilo de vida ostensivo e a falta de experiência em governo geraram resistência no establishment colombiano. “Não sou um político”, afirmou em comício recente. “Políticos nunca cumprem suas promessas.”
A candidata do uribismo
Paloma Valencia Laserna, 48, é senadora pelo Centro Democrático há 12 anos e representa o que analistas chamam de “direita institucional” colombiana. Ganhou a consulta interna do partido em março com mais de 3,2 milhões de votos, superando as senadoras María Fernanda Cabal e Paola Holguín. Propõe incorporar 30 mil militares e 30 mil policiais, corte de impostos empresariais, eliminação do imposto sobre patrimônio e recuperação do sistema de saúde.
Se eleita, será a primeira mulher a presidir a Colômbia. Sua candidatura é abertamente identificada com o ex-presidente Álvaro Uribe, fundador do Centro Democrático, que a descreveu como “aluna aplicada” do movimento.
O que dizem as pesquisas tradicionais
As pesquisas divergem sobre o segundo turno. A Invamer projeta Cepeda vencendo De la Espriella em um eventual segundo turno. A Guarumo dá vitória a De la Espriella no mesmo cenário, em disputa descrita como “muito mais acirrada e incerta”.
Paloma Valencia não aparece em nenhuma projeção de segundo turno nas pesquisas mais recentes. O segundo turno está previsto para junho, caso nenhum candidato atinja maioria absoluta hoje.


Fonte: Conexão Política

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