spot_img

Canetas emagrecedoras mais baratas: O fim do apartheid?

Ozivy®, a nova caneta à base de semaglutida de fabricação nacional (Imagem ilustrativa) Foto: Pexels/Canva
Nesta segunda-feira (15), chega ao mercado a Ozivy®, uma nova caneta à base de semaglutida de fabricação nacional. Essa novidade sinaliza um ano promissor com novas opções terapêuticas após a queda da patente da semaglutida, em 20 de março deste ano.
Segundo a Anvisa, em março de 2026, existiam 17 solicitações envolvendo medicamentos à base de semaglutida em tramitação na agência. Antes já haviam chegado ao mercado, com pouco alarde, as canetas Poviztra® e Extensior®, também à base de semaglutida e bem mais acessíveis.
Sabemos que a obesidade acomete mais as classes sociais vulneráveis. Isso acontece por vários motivos: da pior qualidade da alimentação ao menor acesso a recursos médicos e terapêuticos.
No Brasil, evidências mostram que a obesidade se distribui de forma desigual segundo renda, escolaridade e condições de vida, e que a população de menor renda tende a ficar mais exposta a alimentos mais baratos, mais calóricos e de pior qualidade nutricional.
Na prática do dia a dia do consultório, uma mudança do perfil dos pacientes já começa a ser percebida. Pessoas que nunca antes tinham cogitado tratar a obesidade por causa do preço das medicações já se mostram mais abertas quando tomam conhecimento dos novos valores das canetas. E pacientes que sempre resistiram à introdução de medicação no tratamento agora vêm espontaneamente ao consultório buscá-la.
Tenho acolhido de volta pacientes de 2022, 2023 e 2024 que, naquela época, recusaram o tratamento medicamentoso, mas que agora, de livre vontade, estão voltando para retomar o cuidado. Isso mostra que o problema nunca foi apenas falta de consciência ou de informação. Muitas vezes, o obstáculo real era econômico.
Segundo um grande estudo que acompanhou mais de 176 mil indivíduos com obesidade entre 2004 e 2014 no Reino Unido, a probabilidade de um homem obeso grau 1 voltar ao peso normal em um ano apenas com dieta e atividade física é de 1 para 210. Entre as mulheres na mesma situação, é de uma a cada 124.
Quando o nível de obesidade é grau 3, esse número cai ainda mais: para 1 em 1.290 homens e 1 em 677 mulheres. Ou seja: o emagrecimento sem ajuda medicamentosa, uma vez instaurada a doença obesidade, é algo muito raro e excepcional (embora sempre apareça alguém dizendo que a prima da conhecida da vizinha perdeu 30 quilos só com dieta em um ano).
Portanto, tratar obesidade sem medicamento, em muitos casos, é quase a mesma coisa que querer tratar hipertensão, diabetes, depressão, asma e outras doenças crônicas sem medicamento. Não porque mudança de estilo de vida não seja essencial, mas porque ela, isoladamente, muitas vezes — a mudança de hábitos —não basta diante de uma doença crônica que já criou raízes profundas no indivíduo.


Fonte:

+Notícias

Últimas Notícias