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Chefe de facção criminosa que ordenou ataque a tiros de dentro da cadeia é transferido para presídio federal em RO

Cleuton Gomes Pereira, o “Frajola”, estaria emitindo ordens de dentro da penitenciária de segurança máxima em que está preso, no Espírito Santo.
Reprodução
O traficante Cleuton Gomes Pereira, conhecido como “Frajola” e apontado como chefe da facção criminosa Primeiro Comando de Vitória (PCV), foi transferido para a Penitenciária Federal de Porto Velho, em Rondônia, nesta segunda-feira (13), por volta das 9h. A unidade é de segurança máxima.
A transferência do criminoso foi solicitada pelo Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), pelo prazo de até três anos. A medida pode ser renovada por períodos iguais.
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Já a autorização para a mudança do preso foi concedida pelo Juízo da 7ª Vara Criminal de Vila Velha, com anuência da Justiça Federal de Rondônia.
Segundo investigações, mesmo estando preso na Penitenciária de Segurança Máxima II de Viana, na Grande Vitória, desde 2017, Frajola continuava ordenando atividades criminosas, como ataques a tiros na região da Grande Terra Vermelha, em Vila Velha.
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O traficante, condenado a 54 anos e cinco meses de prisão, comandava a facção de dentro da prisão por meio de recados levados durante visitas. No último mês, três advogados e três guardas municipais de Vila Velha foram presos suspeitos de repassar as ordens durante a terceira fase da Operação Telic.
O agente municipal Iuri Silva, que chegou a ser comandante da Guarda de Vila Velha no ano de 2020, a esposa dele, a advogada criminalista Bárbara Bastos, e o advogado de Frajola, Arlis Schmidt, estão entre os presos.
Foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão em Vila Velha, Cariacica e Serra, todos municípios da Grande Vitória. Celulares e bilhetes manuscritos ou ditados por detentos e redigidos por advogados foram localizados.
As operações têm o objetivo de identificar a atuação de integrantes do PCV na região da Grande Terra Vermelha, que enfrenta intensa disputa de território por facções criminosas nos últimos meses, com ataques a tiros e mortes registradas.
Entre fevereiro e março, pelo menos dez assassinatos foram registrados na área, região que reúne 21 bairros e cerca de 200 mil moradores.
‘Catuques’ e drogas desviadas de apreensões
De acordo com o Ministério Público do Espírito Santo, o aprofundamento das investigações comprovou vínculos entre investigados, advogados e servidores públicos, o que pode caracterizar violação de sigilo funcional e cooperação ilícita em diligências policiais.
A investigação revelou que Frajola emite ordens de dentro da penitenciária de segurança máxima em que está preso por meio de bilhetes conhecidos popularmente como “catuques”.
Segundo o MPES, Arlis Schmidt assumiu o papel de mensageiro do PCV depois que a advogada Bárbara Bastos foi alvo de busca e apreensão em agosto do ano passado.
As ordens repassadas por familiares e advogados seriam para a realização de ataques a tiros, a fim de matar rivais, e cumpridas por integrantes em liberdade.
Ainda segundo o MPES, como contrapartida ao desvio de função pública, os agentes municipais estariam envolvidos com o tráfico de entorpecentes, vendendo drogas que tinham sido apreendidas pela polícia e também desviando dinheiro e materiais sob a responsabilidade deles.
O guarda municipal Iuri Silva e a esposa dele, a advogada criminalista Bárbara Bastos, presos em operação deflagrada no Espírito Santo.
Reprodução
“Núcleo de inteligência do tráfico”
Conforme as investigações do MPES, Frajola também tinha a intenção de formar um grupo restrito de pessoas de sua confiança para selecionar e executar integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP), rivais do tráfico de drogas.
Este núcleo responsável por informações mais sigilosas ainda seria encarregado de realizar ações focadas em expandir o poder da facção.
Traficantes do ES planejavam criar núcleo de inteligência para executar rivais
O outro lado
O advogado Ricardo Luiz de Oliveira Rocha Filho, que representa Frajola, disse que vai questionar a necessidade de transferência do cliente.
“Agora terá uma fase de contraditório para que os advogados possam se manifestar, o que faremos esta semana, avaliando se houve algum erro processual e questionando a real necessidade de transferir Cleuton para o presídio em Porto Velho”.
Sobre os advogados presos durante a Operação Telic, a Comissão de Prerrogativas da OAB-ES informou que acompanhou o caso, com o objetivo de assegurar o pleno respeito às prerrogativas da advocacia e à preservação do Estado Democrático de Direito. Como o processo corre em sigilo, não é possível divulgar outras informações.
Já a Prefeitura de Vila Velha disse que a Corregedoria da Guarda Municipal está acompanhando o caso e a Guarda irá colaborar no que for necessário.
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Fonte:

g1 > Rondônia

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