HILDON CHAVES
A visita do ex-prefeito de Porto Velho, Hildon Chaves, ao município de Cacoal, na última sexta-feira, agitou os bastidores políticos do município e também causou grandes mudanças no tabuleiro político de Rondônia. Hildon Chaves esteve na Capital do Café para anunciar aos cacoalenses sua pré-candidatura ao governo do estado. Seria apenas mais um pré-candidato a visitar Cacoal, caso o ex-prefeito da capital não tivesse declarado que o projeto de brigar pelo cargo de governador inclui o deputado estadual Cirone Deiró como vice em sua chapa. Com forte base eleitoral em Cacoal, Cirone Deiró também possui uma relação muito forte com diversos outros municípios do estado e esteve entre os campeões de votos na eleição de 2022, ficando entre os 5 mais votados. Neste caso, se for mesmo confirmado como parceiro de chapa de Hildon Chaves nas convenções partidárias que acontecem entre julho e agosto, a dupla certamente terá um palanque de peso no estado, considerando que o ex-prefeito Hildon Chaves é atualmente uma das maiores lideranças políticas da capital de Rondônia. Até o presente momento, não surgiu entre os pré-candidatos ao governo nenhum nome da capital que possa ser considerado como uma expressão maior do que Chaves em Porto Velho, município que concentra a maioria dos eleitores do estado. Os adversários podem até não admitir, mas Hildon Chaves é um páreo duríssimo no cenário da eleição de governador.
ALIANÇA SÓLIDA
Até a semana passada, quando estava filiado ao PSDB, o ex-prefeito da capital era considerado por diversos analistas políticos de Rondônia como um adversário inofensivo e que teria dificuldade até mesmo de manter a candidatura à sucessão de Marcos Rocha. Entretanto, sua filiação ao União Brasil tem um efeito que pode mudar muitas pretensões políticas nas eleições deste ano. É importante registrar que a sigla que hoje abriga Hildon Chaves (UNIÃO) oficializou, no ano passado, uma federação com os Progressistas. Estas duas siglas juntas elegeram 20 prefeitos nas eleições de 2024, no estado de Rondônia, o que significa quase metade das prefeituras do estado. Claro que alguns desses prefeitos podem até apoiar outros candidatos ao governo, mas a missão dos outros candidatos, de convencer os prefeitos será muito complicada, porque Hildon Chaves é atualmente o presidente da AROM e possui conexão direta com todos os prefeitos do estado. Além disso, a federação União/PP ocupa a primeira colocação entre os partidos, com relação ao Fundo Eleitoral, que distribui recursos para as campanhas. União/PP superam inclusive o PL, de Valdemar Costa Neto. É difícil imaginar que os políticos de Rondônia queiram migrar para partidos que possuem menos dinheiro para a campanha, porque a distribuição de recursos do Fundo Eleitoral é o principal motivo de filiação de muitos políticos. A tendência natural seria que a federação mais rica do país possa atrair novos deputados, vereadores e prefeitos nos estados. Negar essa realidade é pura inocência política.
PALANQUE DE PESO
A influência política da federação União/PP em Rondônia não é apenas ilusão das redes sociais. A aliança que hoje tem como pré-candidato ao governo o ex-prefeito de Porto Velho, Hildon Chaves, elegeu, em 2022, mais da metade dos deputados federais do estado (Fernando Máximo, Maurício Carvalho, Cristiane Lopes, Lebrão e Sílvia Cristina). Na semana passada, Fernando Máximo assinou a ficha de filiação ao PL de Marcos Rogério e Valdemar Costa Neto, enquanto lebrão perdeu a vaga no ano passado, em função de nova contagem de votos. Porém, a saída de Lebrão muda pouco a situação, já que a formalização da federação entre União Brasil e PP trouxe para o grupo a deputada Silvia Cristina, que teve uma votação 6 vezes maior do que Lebrão em 2024. A deputada Sílvia Cristina figura em todas as listas de pesquisas eleitorais como um dos nomes mais sólidos na disputa pelo Senado Federal. A presença dela no palanque de Hildon Chaves representa um apoio de peso, por ser uma pessoa que tem um forte apelo no setor de saúde, um dos mais carentes do estado e que a população reconhece. A sigla União Brasil também elegeu 4 deputados estaduais em 2022, sendo que três deles estavam entre os campeões de votos (Yeda Chaves, Cirone Deiró e Ezequiel Neiva). Claro que muita coisa pode mudar até o dia 5 de agosto, quando encerram os prazos para a realização das convenções partidárias, mas o cenário de hoje coloca a aliança União Brasil/PP como protagonistas do processo eleitoral em Rondônia. Nenhum outro grupo pode ser subestimado, porque a decisão final será do eleitor, mas não há como negar que União/PP possuem um palanque de peso.
AUSENTES VISÍVEIS
Na semana passada, aconteceu, no município de Ji-Paraná, um evento político que marcou o lançamento da pré-candidatura do senador Marcos Rogério ao governo do estado. O evento contou com a presença do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à presidência da república, Valdemar Costa Neto, presidente nacional da sigla, os deputados federais Fernando Máximo e Chrisóstomo, além de outros políticos. Um fato que chamou a atenção de muita gente foi a baixa participação de prefeitos no evento realizado por Marcos Rogério. Um dos motivos da ausência de muitos prefeitos pode ser o fato de que o governador Marcos Rocha está de olho na movimentação dos prefeitos, já que ele declarou apoio ao prefeito de Cacoal, Adailton Fúria, na disputa pelo governo de Rondônia. Claro que nenhum prefeito tem interesse em se indispor com o governo neste momento, para evitar retaliações ou prejuízos aos seus municípios.
COMPETIÇÃO EQUILIBRADA
Muito diferente de 2022, quando o eleitor não chegou a se empolgar com a eleição de governador, este ano a eleição deve ter nomes com popularidade muito mais atraente. Entre eles, estão Adailton Fúria; Hildon Chaves; Flori Cordeiro; Rodrigo Camargo; Expedito Neto e o próprio Marcos Rogério. Não dá para antecipar favoritismo, porque o eleitor rondoniense ainda não foi às urnas, mas uma coisa é certa: o cenário é bem diferente das eleições de 2022, quando muita gente decidiu votar em Marcos Rocha apenas para evitar uma eventual vitória de Marcos Rogério. Um componente curioso nas eleições deste ano é que apenas o ex-deputado Expedito Neto declara ser o candidato da esquerda, inclusive assinou a filiação ao PT de Lula. Todos os demais postulantes juram de pés juntos que são os mais originais representantes do ex-presidente Jair Bolsonaro no estado. Embora a presença do senador Flávio Bolsonaro no evento que lançou Marcos Rogério ao governo indique a preferência pessoal do ex-presidente, os outros nomes que desejam participar da disputa vão insistir em declarar que são bolsonaristas, porque isso atrai o eleitor mais radicalizado. Nessa disputa acirrada dentro do espectro de direita ou extrema-direita, a esquerda acredita que o ex-deputado Expedito Neto passa a ter boas chances de disputar uma vaga no segundo turno das eleições, visto que Lula teve 29,34% dos votos no estado, nas eleições de 2022.
RENÚNCIAS EM PAUTA
Nos próximos dias, alguns prefeitos de Rondônia devem anunciar suas renuncias ao mandato com a finalidade de participar das eleições de outubro. Entre os prefeitos cogitados para renunciar, estão o prefeito de Cacoal, Adailton Fúria; o prefeito de Vilhena, Flori Cordeiro; Carla Redano, prefeita de Ariquemes; Aldo Júlio, prefeito de Rolim de Moura; e Marcélio Brasileiro, prefeito de Nova Mamoré. Como todos foram reeleitos em 2024, eles devem buscar outros voos este ano e as conversas estão bem adiantadas. As prováveis renúncias devem ocorrer para o cumprimento das normas eleitorais, já que a legislação estabelece que os detentores de cargos do poder executivo devem renunciar ao cargo 6 meses antes da eleição, caso queiram disputar outro cargo. O prefeito de Cacoal, Adailton Fúria e o prefeito de Vilhena, Flori Cordeiro anunciaram seus nomes como pré-candidatos ao governo, enquanto os demais devem buscar cadeiras na Assembleia Legislativa de Rondônia ou Câmara dos Deputados. A situação do prefeito de Cacoal parece mais definida, em relação a Flori Cordeiro, já que o primeiro é o nome preferido do PSD de Rondônia e não tem concorrentes internos. No caso do prefeito de Vilhena, ele já concedeu diversas entrevistas e declarou que é pré-candidato ao governo, mas terá que enfrentar a concorrência do deputado estadual Rodrigo Camargo, que também deseja ter seu nome aprovado pelo Podemos de Leo Moraes para entrar na disputa. Até 5 de agosto, o Podemos vai definir a situação de Camargo e Cordeiro, mas isso será um grande problema.
TONY PABLO E A DEMOCRACIA
O vice-prefeito de Cacoal, Tony Pablo, que deve assumir a titularidade do cargo no início de abril, em função da provável renúncia do prefeito Adailton Fúria, recebeu, na última sexta-feira, a visita do pré-candidato ao governo do estado, Hildon Chaves, e do deputado Cironé Deiró, nome preferido de Hildon para compor a chapa governamental nas eleições deste ano. Após a visita, algumas pessoas comentaram nas redes sociais sobre a situação, já que Tony Pablo é conhecido no município como um dos principais aliados políticos do prefeito de Cacoal. Não existe qualquer motivo para que alguém critique o vice-prefeito por ter recebido as visitas, porque Tony Pablo deve assumir em breve o comando político de um dos principais municípios do estado. Nesta condição, ele está correto em abrir as portas para todos os políticos que possuem influência no estado, porque sua relação com as forças políticas de Rondônia precisa ser de harmonia, objetivando que o município possa receber, sem restrições, o apoio institucional necessário de qualquer pessoa que venha a assumir o governo do estado. A atitude do vice-prefeito demonstra maturidade política, elegância e respeito pelos fundamentos da democracia. Tony Pablo é um político de visão aberta e se recusa a dialogar com quem quer que seja, postura que merece elogios, porque todos os municípios possuem relações institucionais e isto deve ser preservado por quem ocupa o cargo de prefeito. Adotando os mesmos princípios, é provável que o prefeito também receba com a mesma educação e maturidade outros pretensos candidatos que visitarem o município, inclusive candidatos a deputados e senadores. Imagine você, chegar no gabinete do prefeito, um deputado que tem trabalhado muito pelo município e por Rondônia, como Cirone Deiró, pré-candidato a vice governador e um ex-prefeito da capital por dois mandatos e pré-candidato a governador e por questões políticas, o vice-prefeito não os recebe? Parabéns Tony Pablo, pela atitude! E viva a democracia!!
REGULARIZAÇÃO DE TERRENOS
O vereador Carlos Freitas usou a tribuna da Câmara de Cacoal, na última segunda-feira, para falar de um assunto que é de interesse de toda a população de Cacoal. Ele cobrou da administração municipal a criação de um departamento constituído de pessoas que possam trabalhar na regularização fundiária no município de Cacoal. A ideia defendida pelo vereador precisa ser analisada com muito carinho pela Prefeitura de Cacoal, porque a regularização de terrenos em Cacoal pode resolver muitos problemas. Atualmente existem diversos bairros do município nos quais os terrenos não possuem a titulação, fato que cria grandes obstáculos para os proprietários, já que eles ficam impedidos de adotar medidas que valorizem seus lotes. A regularização dos terrenos vai permitir aos proprietários que possam vender terrenos, comprar, fazer financiamentos e outros atos relacionados com este assunto. Na mesma direção, a regularização fundiária vai permitir que o município melhore sua arrecadação, porque a cobrança de tributos é um dos principais objetivos do setor público, exatamente porque visa devolver ao contribuinte, em forma de serviços de qualidade, as políticas que tratam da saúde, educação, segurança, agricultura e diversos outros setores. Como tem demonstrado boa vontade de ouvir ideias e sugestões, certamente o vice-prefeito Tony Pablo dará prioridade ao assunto logo após assumir o cargo, o que deve ocorrer nos primeiros dias de abril. Parabéns ao vereador Carlos Freitas por levantar uma discussão dessa importância.
VOOS CARÍSSIMOS
No fim do ano passado, as empresas aéreas que atuam no estado de Rondônia anunciaram a ampliação dos voos com destino aos estados do sudeste, centro-oeste e outros. A notícia gerou manifestações de contentamento em muitos rondonienses, porque a distância que separa Rondônia dos grandes centros do país é realmente considerável. O anúncio das empresas envolve os aeroportos de Ji-Paraná, Cacoal e Vilhena, cidades muito importantes para a economia do estado. Na ocasião, diversos políticos de nosso estado comemoraram a notícia e alguns chegaram até a declarar que a ampliação de voos era o resultado de ações políticas deles. Claro que não era, mas políticos adoram pegar esse tipo de carona. O problema é que os preços das passagens cobrados pelas empresas são estratosféricos e estão muito acima dos valores cobrados em todos os estados brasileiros. Para se ter uma ideia, a simulação de um voo de ida e volta a Cuiabá, partindo de Cacoal custa quase 10 mil reais. Essa realidade não muda praticamente nada na dificuldade de acesso aéreo para outras regiões do Brasil. Qualquer pessoa que procurar verificar o valor de uma passagem para Portugal, por exemplo, com saída de São Paulo, vai perceber que custa menos da metade de um voo Cacoal/Cuiabá. Como acontece sempre, os mesmos políticos que comemoraram o anuncio da ampliação de voos, no ano passado, sumiram das redes sociais e nunca mais falaram sobre o assunto. Resta saber quem vai fazer propaganda política dizendo que os valores das passagens também foram definidos por seus gabinetes.
Fonte: Tribuna Popular

