Confira as notícias do dia, por Cícero Moura.
LEGAL
O cumprimento de uma ordem judicial é uma obrigação do Estado. Policiais, oficiais de Justiça e demais agentes públicos não escolhem quais decisões devem cumprir. Essa é a base do Estado Democrático de Direito.
Foto: Arquivo Pessoal / Suélen da Cruz Nunes
CAUTELA
Mas existe uma diferença enorme entre cumprir uma determinação judicial e transformar esse cumprimento em um espetáculo de constrangimento público.
ERRO
O caso da professora presa por engano em Rondônia escancara uma falha grave que vai muito além do erro processual.
ERRO 2
Primeiro veio a falha da Justiça ao expedir uma ordem de prisão contra a pessoa errada. Depois veio a falta de sensibilidade na forma como a medida foi executada.
NO TRABALHO
A professora estava dentro de uma escola, exercendo sua profissão, diante de alunos, colegas de trabalho e servidores.
Foto: Reprodução / Redes Sociais
NO TRABALHO 2
Não se tratava de uma criminosa perigosa em fuga, nem de alguém oferecendo resistência.
VERGONHA
Ainda assim, foi submetida a uma situação de extrema exposição, carregando uma marca de vergonha e humilhação que dificilmente será apagada da memória de quem presenciou a cena.
ADMITIU
O próprio Poder Judiciário de Goiás, que expediu a ordem de prisão cumprida em nosso estado, reconheceu posteriormente o erro.
RESPONSABILIDADE
A admissão é importante e demonstra responsabilidade institucional. No entanto, admitir o equívoco não elimina os danos causados.
EFEITO
A reputação de uma pessoa honesta não pode ser restaurada com a mesma velocidade com que ela é destruída diante da opinião pública.
BUROCRÁTICO
Talvez o mais preocupante seja perceber como, muitas vezes, o fator humano desaparece em meio à burocracia. Processos possuem números. Pessoas possuem histórias, famílias, carreiras e dignidade.
PRUDÊNCIA
Quando um erro judicial acontece, o mínimo esperado é que todas as cautelas sejam adotadas para evitar danos desnecessários.
AÇÃO
Era realmente indispensável realizar a abordagem como aconteceu? Não haveria outra maneira de cumprir a ordem sem expor a profissional diante de toda a comunidade escolar? Essas perguntas precisam ser respondidas.
GRAVIDADE
A prisão equivocada já representa, por si só, uma violência institucional. Transformá-la em constrangimento público torna a situação ainda mais grave.
CHOQUE
A professora relatou ter ficado chocada e profundamente envergonhada com o que ocorreu. E qualquer pessoa que se coloque em seu lugar consegue compreender o tamanho do trauma.
OPINIÃO
O episódio deve servir de reflexão para todo o sistema de Justiça. Erros acontecem, porque são cometidos por seres humanos. Mas justamente por isso os mecanismos de conferência, prudência e respeito à dignidade das pessoas precisam ser ainda mais rigorosos.
OPINIÃO 2
A Justiça existe para proteger direitos, não para ampliar sofrimentos. Quando o Estado erra, sua obrigação não é apenas reconhecer o equívoco. É impedir que a humilhação se transforme em uma segunda punição para quem jamais deveria ter sido punido.
OUTRA BIZARRICE
Existem erros administrativos. Existem falhas burocráticas. E existem situações tão absurdas que a primeira reação de qualquer cidadão é perguntar: ninguém leu isso antes de publicar?
CONCURSO
Foi exatamente essa sensação que tomou conta das redes sociais após a divulgação de um edital da Secretaria de Estado da Educação que continha questionamentos completamente incompatíveis com qualquer processo seletivo sério, responsável e minimamente comprometido com a Constituição.
TEOR
Entre as perguntas, algumas beiravam o inacreditável. Havia questionamentos sobre quantas vezes a pessoa mantém relações sexuais e até mesmo sobre a frequência do ciclo menstrual das mulheres.
TEOR 2
Perguntas invasivas, constrangedoras e sem qualquer relação lógica ou profissional com a atividade que seria exercida pelos candidatos. A repercussão foi imediata. E não poderia ser diferente.
PESSOAL
A sociedade evoluiu justamente para impedir que a vida íntima das pessoas seja utilizada como critério de seleção, avaliação ou discriminação.
PESSOAL 2
A Constituição Federal garante o direito à privacidade, à intimidade e à dignidade da pessoa humana. Não cabe ao Estado investigar hábitos sexuais de candidatos para ocupação de vagas na educação.
NEGLIGÊNCIA
A pergunta que fica é simples: como um documento desse porte conseguiu percorrer todos os trâmites internos sem que ninguém percebesse o tamanho da impropriedade?
NEGLIGÊNCIA 2
Não estamos falando de um erro de digitação. Não foi uma palavra fora do lugar. Foram perguntas elaboradas, inseridas e publicadas oficialmente.
NEGLIGÊNCIA 3
Isso demonstra uma preocupante falta de filtro, revisão e bom senso dentro do processo que resultou na divulgação do edital.
MEDIDA
Diante da avalanche de críticas, a SEDUC agiu corretamente ao cancelar o documento ainda na noite de terça-feira. O recuo era inevitável. Manter o edital seria insistir em uma situação indefensável.
E A RESPONSABILIDADE?
Mas o cancelamento resolve apenas parte do problema. A sociedade tem o direito de saber como isso aconteceu. Quem elaborou as perguntas? Quem revisou? Quem autorizou a publicação?
SEXO
Em que momento alguém concluiu que seria razoável perguntar sobre vida sexual ou ciclo menstrual para pessoas interessadas em trabalhar na área da educação?
MAIS GRAVE
O episódio serve de alerta para algo maior. O poder público lida diariamente com dados pessoais, informações sensíveis e direitos fundamentais dos cidadãos. Isso exige responsabilidade, preparo técnico e absoluto respeito aos limites legais.
REDES
Felizmente, neste caso, a reação da sociedade foi rápida e contundente. As redes sociais cumpriram um papel importante ao expor o absurdo e pressionar pela correção imediata.
DETALHE
Porque há situações em que o problema não está apenas no erro cometido. Está no fato de alguém ter acreditado que aquilo era aceitável desde o começo.
FRASE
Antes de assinar, publicar ou determinar qualquer ato, é preciso lembrar que do outro lado existe uma pessoa com dignidade, reputação e direitos.
Fonte: Tribuna Popular

