spot_img

Coluna PONTO CRÍTICO – Temos um Bolsonaro de verdade em Rondônia

Coluna Ponto Crítico – Por Felipe Corona

Bruno “Bolsonaro” Scheid construiu sua trajetória política com lealdade ao bolsonarismo, fidelidade ideológica e um discurso direto que incomoda os oportunistas da direita rondoniense; apesar da tentativa de barrarem uso do nome, ele segue crescendo nas pesquisas

Firmeza
Lealdade e coerência se tornaram artigos raros na política brasileira. Em tempos onde muitos trocam princípios por conveniência eleitoral, discursos por cargos e ideologias por alianças de ocasião, encontrar alguém que mantenha a mesma linha, antes, durante e depois das eleições virou quase uma exceção. Em Rondônia, porém, há um nome que desafia essa lógica da conveniência política: Bruno “Bolsonaro” Scheid.
Firmeza 2
Pré-candidato ao Senado Federal pelo PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, Bruno representa um perfil cada vez mais incomum dentro da própria direita: o político que não esconde o que pensa, não suaviza discurso para agradar setores da imprensa e não tenta posar de “moderado” apenas para ampliar aceitação.
Firmeza 3
Enquanto parte da direita rondoniense vive uma espécie de camaleonismo eleitoral (mudando de lado conforme o vento das pesquisas), Bruno segue exatamente no mesmo lugar político onde sempre esteve. Sem maquiagem. Sem discurso gourmetizado. Sem “direita limpinha”.
Firmeza 4
E ele faz questão de deixar isso claro: “Sou bolsonarista e não de direita. Quem não assume isso, é da direita ‘limpinha’, light”, costuma repetir em entrevistas. A frase resume bem o personagem político que Bruno Scheid se tornou em Rondônia.

Histórico
Assessor político de Bolsonaro há quase sete anos, Bruno não apenas conviveu diretamente com o ex-presidente e sua família, como assimilou traços do próprio estilo bolsonarista: linguagem popular, espontaneidade, enfrentamento direto e uma sinceridade que, para aliados, é virtude. E para adversários, problema.
Postura
Há exageros? Sim. Às vezes até nos palavrões que escapam em entrevistas ao vivo. Mas talvez justamente por isso ele consiga transmitir algo raro no cenário político atual: autenticidade. Bruno não parece um produto fabricado por marqueteiros.
Postura 2
Sua trajetória também ajuda a explicar o discurso duro que adota hoje. Nascido politicamente muito antes de disputar eleição, ele carrega uma história marcada por dificuldades financeiras desde a infância. Chegou a Porto Velho ainda bebê, em 1983, viveu na zona Sul da capital e mais tarde se mudou para o interior de Rondônia, onde construiu sua vida ligada à pecuária.
Postura 3
Mas o episódio que mudou definitivamente sua visão sobre política ocorreu em agosto de 2018. Na propriedade da família, localizada às margens da BR-429, Bruno afirma ter sido rendido por integrantes da Liga dos Camponeses Pobres (LCP), permanecendo amarrado e torturado por mais de 20 horas. O caso se tornou um divisor de águas em sua vida pessoal e política.

Postura 4
Foi ali, segundo aliados próximos, que nasceu a convicção de que a política não poderia mais ser apenas um espaço de discursos vazios ou acordos de bastidores. Para Bruno, política virou combate ideológico.
Postura 5
Não como profissão ou projeto financeiro, mas como instrumento de enfrentamento. Ele costuma dizer que política precisa servir para melhorar a vida das pessoas, garantir segurança, saúde, educação e dignidade. Mas também carrega o tom duro que marca sua personalidade, resumido em uma frase que já virou marca registrada: “pisar na cabeça de vagabundo pelo menos três vezes ao dia”.
Outro lado
Enquanto isso, dentro da própria direita rondoniense, cresce a disputa entre os que defendem abertamente o bolsonarismo e os que apenas utilizam o eleitor conservador como escada eleitoral. E é justamente aí que Bruno Bolsonaro Scheid ganha espaço.
Outro lado 2
Em um estado onde mais de 70% da população se identifica como conservadora ou de direita, não faltam políticos tentando vestir o figurino bolsonarista apenas em período eleitoral. Muitos aparecem com camisa da seleção, fazem foto ao lado de Bolsonaro e discursam contra a esquerda, mas nos bastidores articulam alianças contraditórias, negociam interesses pessoais e abandonam qualquer fidelidade ideológica quando isso ameaça seus projetos de poder.
Outro lado 3
Há figuras que se apresentam como representantes do PL, mas caminham ao lado de adversários do próprio grupo político. Pedem votos para candidatos de outras chapas, articulam nos bastidores contra aliados e tratam ideologia como simples ferramenta eleitoral. Bruno Scheid faz o oposto.
Outro lado 4
Pode até gerar resistência em setores mais moderados, mas ninguém consegue acusá-lo de falta de clareza política. Seu discurso permanece o mesmo, independentemente do ambiente ou da plateia. E talvez seja exatamente isso que incomode tanto.
Lealdade
Em tempos de incoerência, infidelidade partidária e políticos especialistas em agradar todos os lados ao mesmo tempo, Bruno “Bolsonaro” Scheid surge como alguém que escolheu um caminho mais arriscado: o de defender suas ideias sem disfarces. Gostem ou não dele, uma coisa é difícil negar: Bruno não tenta ser outra coisa além do que realmente é.
Erro
Na política, há movimentos que nascem para enfraquecer adversários, mas terminam produzindo exatamente o efeito contrário: ampliam visibilidade, fortalecem identidade pública e entregam munição política ao alvo pretendido. Foi exatamente isso que aconteceu em Rondônia na polêmica envolvendo Scheid e o uso do sobrenome “Bolsonaro”.
Erro 2
A tentativa de impedir que Scheid utilizasse a associação política com o ex-presidente Jair Bolsonaro em atos de pré-campanha acabou transformando o tema em um dos assuntos mais comentados do cenário político estadual. Na prática, reforçou justamente aquilo que se queria conter: sua identificação direta com o principal líder da direita brasileira.

Erro 3
A controvérsia chegou à Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia, após notícia de irregularidade apresentada pelo advogado Caetano Vendimiatti Neto, que alegou suposto uso indevido do sobrenome “Bolsonaro” por Bruno Scheid em atos públicos e em pesquisa eleitoral. O caso tramitava no processo nº 0600096-37.2026.6.22.0000, com origem em Porto Velho.
Erro 4
Ao analisar o caso, a juíza Letícia Botelho rejeitou o pedido de atuação imediata da Justiça para impedir o uso do nome. Na decisão, a magistrada destacou que o episódio ainda está na fase de pré-campanha, quando não existe definição formal de nome de urna, e que qualquer discussão sobre eventual irregularidade deverá ocorrer apenas no momento do registro oficial da candidatura.
Erro 5
Além disso, a decisão apontou insuficiência de provas para uma intervenção imediata. Segundo a magistrada, não ficou demonstrado de forma inequívoca que Bruno Scheid tenha adotado deliberadamente e de maneira sistemática a variação “Bolsonaro” como sua identificação oficial. Parte das referências, observou a juíza, aparece em conteúdos produzidos por terceiros como imprensa, redes sociais e pesquisas eleitorais.
Erro 6
Ao final, a juíza indeferiu, naquele momento, o pedido para determinar a cessação do uso do sobrenome “Bolsonaro”, determinou a comunicação ao Ministério Público Eleitoral e mandou arquivar o processo, sem prejuízo de nova análise caso surjam novos elementos. A decisão foi assinada em Porto Velho no dia 29 de abril de 2026.
Desdobramentos
Na semana passada, após manifestação do Ministério Público Eleitoral (vinculado ao Ministério Público Federal), a mesma juíza proibiu por apenas dois dias, que Bruno e sua equipe não usassem o “Bolsonaro” nas ações de pré-campanha. Adversários vibraram, mas a alegria durou pouco tempo.
Desdobramentos 2
Na noite do sábado, dia 22 de maio, após ação rápida da defesa de Scheid, a magistrada mudou novamente seu entendimento e voltou a autorizar que Bruno utilizasse em suas ações de pré-campanha e redes sociais, o sobrenome mais importante da direita brasileira. Mais um ponto para ele.
Desdobramentos 3
Foi justamente aí que o movimento dos adversários saiu pela culatra. Antes mesmo da judicialização, Bruno Scheid já vinha sendo tratado nos bastidores e em parte da imprensa como “Bruno Bolsonaro”, “Bruno do Bolsonaro” ou “Bruno Bolsonaro Scheid”, em razão de sua ligação política com o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Pegou
Em Rondônia, essa associação já era conhecida no meio político. Mas ao levar o tema à Justiça, os adversários transformaram uma identificação que circulava entre apoiadores em um debate institucional, com repercussão jurídica e manchetes. Exatamente o tipo de exposição que toda pré-campanha deseja.
Pegou 2
Na prática, quem ainda não sabia quem era Bruno Scheid passou a saber. E mais: passou a associá-lo diretamente ao capital político que seus adversários claramente tentaram neutralizar.
Pegou 3
A decisão judicial não autorizou formalmente o uso do nome “Bolsonaro” como futuro nome de urna. Essa análise ainda acontecerá em momento processual próprio, mas também não identificou ilegalidade manifesta que justificasse uma proibição imediata. O resultado foi um ganho político evidente para o pré-candidato.
Pegou 4
Agora, Bruno sai do episódio com um discurso pronto: pode dizer que tentaram impedir sua identificação política e falharam já no primeiro teste. No fim, o episódio reforçou uma velha máxima da política: quando o ataque é mal calculado, ele pode virar propaganda gratuita.
Vitória e ganhos
E foi exatamente isso que aconteceu. Ao tentarem apagar o “Bolsonaro” de Bruno Scheid, acabaram escrevendo esse sobrenome em letras ainda maiores no debate político de Rondônia.
*Os sites que publicam esta coluna reservam o direito de manter integralmente a opinião dos seus articulistas sem intervenções. No entanto, o conteúdo apresentado por este “COLUNISTA” é de inteira responsabilidade de seu autor.


Fonte: Tribuna Popular

+Notícias

Últimas Notícias