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Érika Hilton: Priscila, a Rainha do Deserto Sofista da política

Erika Hilton Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Há algo de profundamente perturbador quando o poder se antecipa à própria lei, quando a sanção vem antes da norma, e a intimidação precede o debate. O que se vê no comportamento de Érika Hilton não é apenas excesso retórico, mas um ensaio de coerção institucional: recorrer à AGU para constranger críticos de um projeto que sequer se tornou lei é inverter a lógica democrática. Não se trata mais de convencer, trata-se de calar. E isso, em qualquer sociedade que ainda se pretenda livre, deveria soar como um alarme ensurdecedor.
Há também, no plano simbólico, uma dissonância quase literária, embora não no bom sentido. Invocar Machado de Assis como ornamento intelectual enquanto se tropeça na própria linguagem, incapaz de conjugar verbos ou sustentar o plural mais básico, não é apenas uma contradição estética; é um retrato de impostura. Machado compreendia a ironia como poucos, e talvez sorrisse, com seu ceticismo elegante, diante de alguém que tenta vestir a erudição como figurino, sem jamais habitar o pensamento.
No fim, o que se revela é um tipo clássico de engodo sofista: muita pose, pouca substância; muito aparato, pouca consistência. A perseguição travestida de justiça, o argumento substituído pela pressão, o discurso inflado que não resiste à gramática — tudo isso compõe um teatro que não engana quem ainda preserva o mínimo de rigor intelectual. E talvez seja esse o ponto mais incômodo: não é apenas sobre uma parlamentar, mas sobre o rebaixamento deliberado do debate público.


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