O presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizou o envio de uma missão humanitária brasileira à Venezuela após os terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 que devastaram o norte do país na noite de quarta-feira (24). A aeronave KC-390 da Força Aérea Brasileira parte nesta sexta-feira (26) do Aeroporto de Guarulhos com 36 bombeiros dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, quatro técnicos da Defesa Civil Nacional, quatro especialistas da Agência Nacional de Telecomunicações e nove toneladas de equipamentos de busca e resgate em estruturas colapsadas. “
”Vamos enviar, nesta sexta pela manhã, uma missão humanitária de busca e resgate urbano. Com eles vão nove toneladas de equipamentos para ajudar na busca e socorro às vítimas”, escreveu Lula no X/Twitter.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
No sábado (27), um segundo voo levará um hospital de campanha com equipe médica, medicamentos, insumos cirúrgicos e cem purificadores de água com painel solar com capacidade de produzir cinco mil litros de água potável por dia cada. Os equipamentos serão doados à Defesa Civil venezuelana. A operação é coordenada pela Agência Brasileira de Cooperação, vinculada ao Ministério das Relações Exteriores, e integra um esforço internacional que já conta com equipes das Nações Unidas, do México, da Suíça, com 80 socorristas e 18 toneladas de equipamento, e dos Estados Unidos, que anunciaram envio imediato de times de resgate por determinação de Donald Trump.
Lula telefonou para a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, para “prestar a solidariedade do governo brasileiro e definir a melhor forma de prestarmos apoio ao país vizinho.” Rodríguez decretou estado de emergência nacional e fez apelo à comunidade internacional por assistência. O governo venezuelano anunciou a criação de um fundo inicial de 200 milhões de dólares, com recursos do Fundo Monetário Internacional, destinado à reconstrução de hospitais, moradias e equipamentos públicos destruídos pelos tremores.
O balanço oficial mais recente apontava 188 mortos e mais de 1.500 feridos, com cerca de 200 pessoas ainda presas em escombros e 250 edifícios danificados ou destruídos. O estado de La Guaira foi declarado zona de catástrofe. O Aeroporto Internacional Simón Bolívar, em Maiquetía, teve as operações suspensas por danos severos à infraestrutura. As aulas foram suspensas por tempo indeterminado em todo o país, com escolas sendo convertidas em abrigos e centros de coleta de doações.
A Venezuela é governada por um regime sob sanções internacionais, e a cooperação brasileira é uma das poucas pontes de acesso humanitário ao país. O Brasil não rompeu relações com Caracas mesmo após as eleições contestadas de 2024 e mantém embaixada em funcionamento na capital venezuelana, o que facilita a logística da missão agora enviada.
Fonte: Conexão Política

