Lula durante cerimônia no SESC Aracruz, no Espírito Santo Foto: Ricardo Stuckert / PR
Senta que lá vem mais uma história para boi dormir de Lula. Recentemente, ele esteve no Espírito Santo, em Aracruz, e voltou a expor uma visão de mundo que tem marcado muitos de seus discursos Brasil afora. Ao comentar a recuperação de celulares roubados, demonstrou preocupação não apenas com a vítima do crime, mas também com quem adquiriu o aparelho das mãos de um criminoso.
Sério isso? Sim.
Segundo o presidente, não seria justo simplesmente recolher o celular de quem o comprou sem oferecer algum tipo de compensação. O argumento é que muitas pessoas teriam adquirido esses aparelhos de boa-fé e, por isso, não poderiam ser penalizadas.
A questão é que essa lógica ignora um princípio fundamental que a receptação é parte indispensável da cadeia criminosa. Afinal, se ninguém comprasse produtos roubados, o crime se tornaria muito menos lucrativo. Quem adquire um celular por um valor muito abaixo do mercado, sem se preocupar com sua origem, contribui para manter esse sistema funcionando.
O que mais chama atenção não é apenas o discurso em si, mas a inversão de prioridades que ela revela.
A preocupação central deveria ser a vítima. É ela quem perdeu seu patrimônio para a ação de um criminoso. No entanto, o discurso presidencial dedica uma dose considerável de compreensão à situação de quem comprou o produto roubado.
É uma inversão de valores que, para muitos, reflete a visão da esquerda sobre o tema ou narrativa eleitoreira visando agradar quem pratica isso.
Não se trata de falta de humanidade, mas de reconhecer que toda escolha tem consequências. Quem compra um bem de origem suspeita assume um risco e ajuda a alimentar um mercado que existe justamente à custa do prejuízo de pessoas honestas.
Quando Lula passa pano para o receptador, acaba transmitindo uma mensagem preocupante: a de que sempre há uma justificativa para quem participa da engrenagem do crime.
E aí voltamos a uma discussão que ganhou força nos últimos dias: por que facções criminosas como o PCC e o Comando Vermelho passaram a ser alvo de crescente atenção internacional?
Só não vê quem não quer. Lula demonstra “complacência” com tudo o que é errado e, com posturas como essa, contribui para o agravamento da crise na segurança pública brasileira.

