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O Brasil continua precisando dos seus imperfeitos extraordinários

Telão com a imagem de Neymar, durante a convocação para a Copa do Mundo 2026 Foto: EFE/ Andre Coelho
O Brasil tem um talento raro para transformar seus ídolos em réus emocionais. A gente pega alguém brilhante, cobre de expectativa, depois assiste de camarote à execução pública quando ele se revela humano.
Neymar nunca foi um santo. Graças a Deus! Santos não driblam três zagueiros com o tornozelo destruído. Santos não carregam o peso de um país inteiro nas costas desde os 17 anos.
Tom Jobim já dizia que o Brasil não perdoa o sucesso. Talvez porque sucesso aqui seja quase uma afronta coletiva. Existe uma crueldade tropical em ver alguém vencer demais.
Neymar virou símbolo disso tudo: amado enquanto entretinha, massacrado quando mostrou fraqueza, solidão, vaidade, excesso. Como se genialidade viesse embrulhada em pureza franciscana.
Por isso, eu confesso uma coisa sem vergonha nenhuma: fiquei feliz de vê-lo escolhido para a Copa. Porque o Brasil pode até maltratar seus ídolos, mas continua precisando deles. E Neymar, com todos os seus defeitos magnificamente humanos, ainda é um dos poucos capazes de fazer este país voltar a sonhar por 90 minutos.


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