Abelardo de la Espriella venceu em 15 dos 32 departamentos colombianos no segundo turno, enquanto Iván Cepeda conquistou 17. O traço geográfico explica a eleição. O candidato da direita perdeu mais territórios e ganhou a disputa porque suas vitórias se concentraram nos departamentos mais populosos e economicamente mais ativos do país, onde cada ponto percentual representa um volume de votos que os territórios de Cepeda não conseguiram compensar.
Cinturão de Espriella
Antioquia foi o departamento decisivo. Lá, Espriella obteve 2,18 milhões de votos contra 1,13 milhão de Cepeda, uma margem de quase um milhão de sufrágios num único departamento. Em Medellín, capital antioqueña, o presidente eleito alcançou 64,45% dos votos. Em Santander venceu com 64,6% e em Casanare chegou a 61,25%. O mapa do primeiro turno já havia mostrado esse padrão. Espriella construiu vantagem no centro do país, nos Andes, no Eje Cafetero e nos Llanos Orientales, regiões com maior renda per capita, mais integração econômica formal e menor presença de grupos armados.
Foto: WHop
Onde a esquerda resistiu
Cepeda construiu sua base nos territórios historicamente associados ao progressismo colombiano e ao Estado ausente. No Chocó, obteve 75,61% dos votos. Em Vaupés, 75,52%. Em Putumayo, 71,36%. Em Nariño e Cauca, ultrapassou 68%. Bogotá, a maior cidade do país, com mais de seis milhões de eleitores habilitados, ficou com Cepeda por 41,67% a 36,8%. O Pacífico e o sul do país seguem como o principal reduto do progressismo, regiões onde a dependência de programas sociais federais é mais intensa e onde grupos armados têm presença de base.
Projeção do mapa
Espriella venceu onde há mais emprego formal, mais investimento privado e mais classe média que cobra resultado econômico. Cepeda venceu onde o Estado é mais fraco e onde a violência de grupos armados é mais aguda. São, essencialmente, dois países dentro de um, e é exatamente nos territórios onde Cepeda venceu que o novo governo terá de implementar a política de segurança dura que foi o centro da campanha de Espriella, sem a base eleitoral que o elegeu e contra organizações que conhecem aquele terreno há décadas.
No exterior, Espriella obteve 72% dos votos da comunidade colombiana nos Estados Unidos, eleitorado formado majoritariamente por empresários e profissionais liberais. A participação total foi de 57,72% do eleitorado habilitado, com 23,9 milhões de votos em um universo de 41,4 milhões. A abstenção, que concentrou nos territórios onde Cepeda era mais forte, pesou tanto quanto os votos que Espriella recebeu.
Fonte: Conexão Política

