Cartaz com Ali Khamenei, em manifestação de luto e protesto por sua morte EFE/EPA/MONIRUL ALAM
O ditador mais longínquo do Oriente Médio, o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, encontra-se morto. Trata-se de um momento histórico para o povo iraniano, para a região, para os Estados Unidos e para os aliados e parceiros norte-americanos em todo o mundo.
Dado o caráter sem precedentes dessa operação militar conjunta entre Estados Unidos e Israel, permanece desafiador antecipar os desdobramentos no Irã.
As declarações proferidas pelo presidente Trump e pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, ao anunciarem as operações deste fim de semana — codinome “Operação Fúria Épica” pelos EUA e “Operação Rugido do Leão” por Israel —, evocaram o legado terrorista do regime iraniano, comprometeram-se a impedir sua aquisição de armas nucleares e defenderam sua derrubada.
Militarmente, os dois aliados têm cooperado de forma estreita, dividindo alvos, setores, missões e mais.
EUA após Khamenei
Fontes americanas afirmaram que o presidente dos EUA, Donald Trump, persistirá na luta contra o Irã até que o regime seja derrubado. Trump pretende prosseguir até o desfecho com essa transformação — ele já delineou o objetivo: substituir o regime e não tem intenção de abrandar o ímpeto.
De acordo com o próprio secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, que esclareceu em coletiva de imprensa o papel dos EUA no conflito contra o Irã:
— Esta não é uma guerra de mudança de regime propriamente dita, mas o regime certamente mudou. Nossas ambições não são utópicas, mas realistas.
Hegseth ainda afirmou que a missão dos EUA no Irã consistia em destruir os mísseis iranianos, sua marinha e negar a Teerã o acesso a armas nucleares. Enfatizando que não é o Iraque, não se tratava de uma guerra interminável.
Israel após Khamenei
Israel, por sua vez, pode prolongar o conflito por mais tempo, uma vez que o custo político para Benjamin Netanyahu seria menor no âmbito interno. O premiê conta com apoio inclusive da oposição israelense para perseguir o objetivo de derrubar o regime ou, ao menos, debilitá-lo militarmente ao máximo em Teerã.
Já o regime iraniano luta por sua sobrevivência e buscará eleger rapidamente um sucessor — um novo líder supremo.
Quem liderará a República Islâmica após Khamenei?
Nesse contexto, o cenário mais plausível é o de continuidade institucional: a Assembleia dos Especialistas, sob influência da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), elege um clérigo conservador, com perfil técnico e lealdade comprovada. O sistema preserva sua arquitetura, mas com menor carisma e maior dependência das forças de segurança.
No entanto, disputas entre clérigos tradicionais, a IRGC e facções presidenciais podem gerar um impasse.
Entre os cenários de sucessores possíveis, destacam-se o filho de Ali Khamenei, Mojtaba Khamenei, e Hassan Khomeini, neto de Ruhollah Khomeini.
No caso de uma transição de poder, o nome de oposição mais proeminente aclamado nas ruas é Reza Pahlavi, filho de Mohammad Reza Pahlavi, o último Xá do Irã. O príncipe iraniano, exilado aos 18 anos junto ao pai deposto pela revolução, tem se posicionado como uma alternativa viável para o país em crise.
Em última análise, até o momento em que este artigo foi redigido, a coalizão prossegue com os ataques ao Irã. O regime iraniano retaliou com disparos contra nações do Golfo e bases militares americanas na região do Oriente Médio. O grupo terrorista Hezbollah atacou Israel a partir do Líbano, abrindo outra frente no conflito.
O futuro permanece incerto. É árduo prever, dada a inédita campanha militar dos EUA e Israel. Mas uma coisa é certa: Ali Khamenei, um homem responsável pela morte de tantos ao redor do mundo, finalmente foi levado à justiça!

