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Os Acordos de Islamabad: Cessar-fogo entre EUA-Israel e Irã

Bandeira nacional do Irã está enrolada em uma estátua em Teerã Foto: EFE/EPA/ABEDIN TAHERKENAREH
No dia 7 de abril, sob mediação do Paquistão, EUA e Irã firmaram um cessar-fogo de duas semanas, com negociações previstas para 10 de abril em Islamabad. O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, atuou como principal articulador, enquanto o vice-presidente americano, JD Vance, coordenou-se por telefone. Os chanceleres do Egito e da Turquia também participaram, e o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, convenceu a Guarda Revolucionária a aceitar os termos.
O Irã apresentou um conjunto abrangente de exigências: garantia de fim permanente da guerra com compromisso de que EUA e Israel não promoveriam novos ataques; revogação total de todas as sanções primárias e secundárias; extinção de resoluções condenatórias do Conselho de Segurança da ONU e da AIEA; pagamento de reparações ao Irã; retirada das forças americanas da região; e cessação das operações israelenses contra o Hezbollah no Líbano e demais aliados do chamado “Eixo de Resistência”. Ademais, Teerã propôs a cobrança de uma taxa sobre navios que transitassem pelo Estreito de Ormuz, cuja receita seria dividida com Omã e destinada à reconstrução pós-conflito.
O acordo será consagrado por resolução do Conselho de Segurança da ONU. Não está claro se os EUA aceitaram as exigências iranianas. O plano de dez pontos é preliminar, enquanto a contraproposta americana de quinze pontos – equivalente a uma capitulação iraniana – também estará sobre a mesa.
Como ficou a coalizão no cessar-fogo? Perdeu a guerra?
A coalizão EUA-Israel teve sucesso em destruir a capacidade militar convencional de ponta e a estrutura de comando do Irã, além de infligir danos econômicos potencialmente irreversíveis. No entanto, falhou em desmantelar a estrutura de poder do regime, que permanece resistente e ainda possui ferramentas perigosas para retaliar e negociar, mantendo suas principais ferramentas de barganha.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, teria ficado descontente com o acordo da Casa Branca e prometeu continuar a campanha militar israelense para ocupar todo o sul do Líbano e criar uma zona tampão. Líderes da oposição e outras lideranças israelenses criticaram duramente o cessar-fogo com o Irã, chamando-o de uma falha de liderança política e estratégica e alertando sobre consequências de longo prazo para a segurança de Israel. Em sentido oposto, os Estados do Golfo acolheram o cessar-fogo, exigindo o fim das hostilidades, apesar de ataques iranianos persistentes.
O contexto permanece volátil: horas após o anúncio de Trump, o Irã lançou mísseis contra Israel, e o Bahrein ativou sirenes de ataque aéreo. Alertas continuaram em Israel, levantando dúvidas sobre a sustentabilidade do acordo.
Em suma, não se pode afirmar que a coalizão EUA-Israel tenha perdido a guerra, tampouco que tenha vencido; o que se observa é a transição para uma fase de guerra híbrida, na qual negociações frágeis coexistem com ataques pontuais e disputas por legitimidade internacional.


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