Flávio Bolsonaro Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
A divulgação dos áudios envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro expôs mais uma vez um fenômeno cada vez mais evidente no Brasil: quando o assunto envolve nomes ligados à direita, especialmente ao bolsonarismo, fatos comuns passam rapidamente a ser tratados como escândalos nacionais.
O que existe até agora? Um parlamentar cobrando um financiamento privado prometido para a produção de um filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Não há prova de uso de dinheiro público, favorecimento estatal, contratos direcionados ou qualquer contrapartida ilegal.
Mesmo assim, parte da mídia já construiu manchetes insinuando corrupção antes mesmo da existência de um fato concreto que sustente essa acusação.
E aqui surge uma pergunta inevitável: será que o tratamento seria o mesmo se o filme fosse sobre uma liderança de esquerda?
A história recente mostra que não.
Durante anos, produtores culturais, artistas, cineastas e projetos ideologicamente alinhados à esquerda receberam financiamentos milionários via patrocínios empresariais, bancos, estatais e leis de incentivo. Em muitos casos, isso foi tratado pela imprensa como “fomento cultural”, “investimento artístico” ou “apoio institucional”.
Mas quando o projeto envolve Bolsonaro, o discurso muda imediatamente. O que antes era chamado de “captação de recursos” passa a ser descrito como “negociação suspeita”. O que era “apoio empresarial” vira “escândalo”.
A diferença não está no ato. Está no alvo político.
O apresentador Ratinho também já foi atingido por narrativas semelhantes apenas por realizar testemunhais comerciais para empresas posteriormente investigadas. Fazer publicidade nunca foi sinônimo de participação em crimes. Caso contrário, metade do mercado publicitário brasileiro estaria sob suspeita permanente.
No caso de Flávio Bolsonaro, até agora não apareceu nenhuma evidência de:
– tráfico de influência;
– desvio de recursos públicos;
– favorecimento governamental;
– venda de facilidades;
– corrupção.
Existe apenas a tentativa de transformar proximidade em culpa e financiamento privado em crime presumido.
Isso cria um ambiente perigoso para a democracia. Porque quando a régua muda conforme a posição ideológica do investigado, o jornalismo deixa de buscar fatos e passa a operar como instrumento de disputa política.
A pergunta correta continua sendo simples: houve ilegalidade concreta ou apenas um financiamento privado para um projeto audiovisual?
Sem prova de corrupção, sobra apenas mais um episódio de desgaste seletivo contra figuras da direita brasileira.

