Foto: Alexander Grey/Unsplash
Uma pesquisa publicada nesta sexta-feira (15) na revista científica Nature Medicine apresentou resultados considerados promissores para pacientes que utilizam medicamentos contra obesidade e enfrentam dificuldades para manter o peso após interromper o uso das chamadas “canetas emagrecedoras”.
O estudo avaliou o medicamento oral orforglipron, desenvolvido pela Eli Lilly, em pacientes que haviam passado por tratamento prolongado com agonistas de GLP-1 injetáveis, como Mounjaro e Wegovy. Segundo os pesquisadores, o comprimido ajudou a preservar parte significativa da redução de peso obtida anteriormente com as aplicações semanais.
O ensaio clínico acompanhou 376 participantes durante um período de 72 semanas utilizando medicamentos injetáveis. Depois dessa etapa, os pacientes migraram para o uso diário do orforglipron. Entre aqueles que haviam utilizado tirzepatida, cerca de 75% da perda de peso foi mantida após um ano, percentual superior ao observado no grupo placebo. Já entre os usuários anteriores de semaglutida, aproximadamente 79% da redução corporal foi preservada.
Os pesquisadores afirmam que a possibilidade de continuidade do tratamento por via oral pode ampliar a adesão de pacientes no longo prazo, especialmente por reduzir obstáculos relacionados ao uso de agulhas, armazenamento refrigerado e custo elevado das versões injetáveis.
A Eli Lilly estima que o tratamento mensal com a nova medicação tenha preço inicial em torno de US$ 149, valor significativamente inferior ao custo de terapias injetáveis mais conhecidas, que podem ultrapassar US$ 1 mil por mês em alguns mercados.
Além do controle do peso, o estudo também observou manutenção de indicadores cardiometabólicos, incluindo melhora na pressão arterial, nos níveis de colesterol e no controle glicêmico. Os efeitos adversos relatados foram semelhantes aos já observados em medicamentos da mesma classe, predominando sintomas gastrointestinais leves ou moderados.
Diferentemente das versões injetáveis baseadas em peptídeos, o orforglipron é descrito pelos pesquisadores como uma molécula não peptídica, característica que permite a administração oral sem perda relevante da substância durante a digestão.
Os autores do estudo destacam ainda que terapias contra obesidade costumam enfrentar o chamado “efeito rebote”, situação em que parte considerável do peso perdido retorna após a interrupção do tratamento. Os resultados do estudo ATTAIN-MAINTAIN indicam que o comprimido pode funcionar como estratégia de manutenção para reduzir esse ganho acelerado de peso após o fim das injeções.
Fonte: Conexão Política

