A FILA DO PÃO
Na fila da padaria,
Logo cedo, de manhã,
Tem gente de todo jeito,
Com conversa leve e sã,
Uns falando da política,
Outros do preço da lã.
Tem a dona conhecida,
Que já chega perguntando:
— O pãozinho já saiu?
E o padeiro vai gritando:
— Saiu agora, minha filha,
Mas já está voltando!
Tem o rapaz apressado,
Com relógio na função,
Diz que está com pressa,
Mas precisa só de pão,
Quando vê, já sabe tudo
Da vida da população.
Tem aquele engraçadinho
Que pergunta sem parar:
— Se o pãozinho já saiu,
Quando é que ele vai voltar?
E o povo cai na risada
Sem conseguir se segurar.
Outro diz lá do cantinho:
— O pão saiu pra passear,
Foi comprar café coado
E já deve retornar,
Mas cuidado, minha gente,
Que ele pode se atrasar!
A moça atrás do balcão
Já conhece a brincadeira,
Responde com paciência
De forma bem costumeira:
— O pão volta quentinho,
Mas só para gente ligeira!.
Tem o senhor aposentado
Que chega só pra prosear,
Compra apenas dois pãezinhos,
Mas demora pra pagar,
Porque conta dez histórias
Antes de se retirar.
Tem criança de uniforme
Pedindo pão de queijo quente,
Com os olhos arregalados
E um sorriso reluzente,
Pois esse famoso quitute
Faz milagre em muita gente.
O pão de queijo aparece,
Todo cheiroso e dourado,
A fila muda de assunto,
Fica o povo animado,
Até quem queria pão francês
Sai com mais um embrulhado.
E quando falta trocado,
Começa outra confusão:
Um empresta dez centavos,
Outro completa um tostão,
Porque na fila da padaria
Também mora a união.
Ali se sabe das chuvas,
Do calor e do vizinho,
Do cachorro que fugiu,
Do buraco no caminho,
E até quem não se conhece
Vai saindo mais chegadinho.
Na fila da padaria,
A vida passa sorrindo,
Entre pão, café e conversa,
O povo vai se unindo,
E o pão que já tinha saído
No forno vai ressurgindo.
Por isso, digo com gosto,
Com rima e satisfação:
A fila da padaria
É quase uma reunião,
Onde o pão alimenta o corpo
E a conversa o coração.
Moiseis Oliveira da Paixão
Fonte: Tribuna Popular

