A Polícia Federal concluiu o Inquérito Policial nº 0179/2019-4-DPF/VLA/RO com o indiciamento de Jean Carlos Scheffer Oliveira, Alexsandro Aparecido Zarelli, Laerte Gomes e Josimar Edvaldo Zarelli. A investigação apura supostas irregularidades relacionadas à eleição da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de Rondônia (ALE-RO) para o biênio 2019/2020.
Conduzido pela Delegacia da Polícia Federal em Vilhena, o inquérito investiga a existência de um suposto esquema envolvendo pagamento de vantagens indevidas, nomeações para cargos comissionados, utilização de uma suposta “contabilidade paralela” e articulações políticas destinadas a garantir a eleição de Laerte Gomes para a presidência do Legislativo estadual.
Segundo a Polícia Federal, as investigações tiveram origem em apurações relacionadas a supostos crimes contra a ordem tributária e fiscal atribuídos inicialmente a Alexsandro Aparecido Zarelli. No decorrer das diligências, interceptações telefônicas e ambientais levaram os investigadores a identificar indícios de outros possíveis crimes, entre eles corrupção ativa, corrupção passiva, peculato, lavagem de dinheiro, falsificação de documento público e associação criminosa.
Reunião em hotel é apontada como peça central da investigação
Um dos principais elementos apontados pela Polícia Federal é uma reunião realizada no quarto 603 de um hotel em Porto Velho, em 23 de janeiro de 2019, poucos dias antes da eleição da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa.
De acordo com o relatório policial, imagens do circuito interno do hotel registraram a chegada de parlamentares ao andar onde Alexsandro Zarelli estava hospedado. Conforme a investigação, Laerte Gomes, Jean de Oliveira e Alex Redano teriam participado do encontro.
Para a Polícia Federal, a reunião reforça a hipótese de articulação política para definir a eleição da presidência da Assembleia Legislativa no biênio 2019/2020 e da Mesa Diretora do biênio seguinte.
Em um dos diálogos interceptados, Alexsandro Zarelli afirma que o “fechamento” ocorreu naquele quarto de hotel e que Laerte Gomes seria “nosso”, acrescentando que passaria a fazer sua contabilidade.
PF aponta suspeita de “contabilidade paralela”
Outro ponto considerado relevante pela investigação envolve a expressão “contabilidade acessória”, utilizada em conversas interceptadas.
Segundo o relatório, os investigadores entenderam que o termo poderia indicar a existência de uma contabilidade paralela destinada ao controle financeiro do grupo político investigado.
Em outro diálogo citado no inquérito, Alexsandro afirma que, ao assumir a contabilidade de Laerte Gomes, conseguiria “segurar” o deputado, acrescentando que ele ficaria com o “rabinho mais presinho”. Para a Polícia Federal, a conversa demonstra interesse em ampliar influência sobre o então presidente da Assembleia.
Suposto pagamento por apoio político
A investigação também faz referência a conversas envolvendo o empresário Gildásio Rebouças dos Santos, conhecido como “Baiano”.
Segundo a transcrição anexada ao inquérito, foi mencionada a possibilidade de Jean de Oliveira receber entre R$ 700 mil e R$ 800 mil, além de cargos comissionados, como contrapartida pelo apoio à eleição da Mesa Diretora.
Em depoimento à Polícia Federal, Gildásio confirmou ter participado da conversa, mas afirmou que o conteúdo se tratava de uma brincadeira entre conhecidos.
Nomeação de assessor também entrou na investigação
Outro ponto analisado pela Polícia Federal diz respeito à nomeação de Josimar Edvaldo Zarelli, irmão de Alexsandro Zarelli, para cargo comissionado na Assembleia Legislativa.
Segundo o relatório, Josimar foi nomeado em abril de 2019, com remuneração líquida aproximada de R$ 6,5 mil mensais.
Os investigadores sustentam a hipótese de que a nomeação poderia ter servido como forma indireta de remuneração pelos serviços contábeis que Alexsandro supostamente prestaria ao grupo político.
Em depoimento, Josimar afirmou que exercia regularmente suas funções como assessor parlamentar e negou qualquer repasse de valores ao irmão.
A Polícia Federal também apontou divergências entre registros de presença e dados de localização obtidos por meio de estações rádio-base, indicando que Josimar estaria em Alta Floresta d’Oeste em datas nas quais constava frequência na Assembleia Legislativa, em Porto Velho.
Conversa interceptada menciona possibilidade de homicídio
Entre os diálogos destacados pela investigação, um chamou atenção por mencionar a expressão “fazer” uma pessoa.
Segundo a Polícia Federal, um dos investigados orienta que determinados assuntos não fossem tratados por telefone e faz referência à possibilidade de “fazer” um homem.
No relatório, os investigadores registram que, no contexto da conversa, a expressão foi interpretada como possível referência à prática de homicídio. Entretanto, o documento não aponta que qualquer crime dessa natureza tenha sido executado nem informa o prosseguimento de investigação específica sobre esse trecho.
Investigados negam irregularidades
Nos depoimentos prestados durante o inquérito, os investigados negaram a prática dos crimes apontados pela Polícia Federal.
Alexsandro Zarelli confirmou que estava hospedado no hotel em Porto Velho, mas afirmou que apenas cedeu o quarto a pedido de Jean de Oliveira para que ele atendesse algumas pessoas. Também negou ter participado de qualquer reunião destinada à eleição da Mesa Diretora ou de suposta contabilidade paralela.
Jean de Oliveira negou ter recebido qualquer vantagem indevida para apoiar Laerte Gomes e afirmou que seu voto decorreu de entendimento político e afinidade com o então candidato à presidência da Assembleia.
Já Josimar Zarelli declarou que exerceu regularmente suas atividades como assessor parlamentar e negou que sua nomeação tivesse relação com eventual pagamento de serviços ao irmão.
Conclusão da Polícia Federal
Ao concluir o inquérito, a Polícia Federal afirmou ter identificado indícios de autoria e materialidade relacionados, em tese, aos crimes de associação criminosa, peculato-desvio e corrupção passiva.
Segundo o relatório, há suspeitas de que recursos públicos tenham sido utilizados para remunerar serviços particulares e de que tenha ocorrido solicitação ou recebimento de vantagens indevidas em troca de apoio à eleição da presidência da Assembleia Legislativa de Rondônia.
O inquérito foi encaminhado ao Poder Judiciário para análise das medidas cabíveis. O indiciamento representa a conclusão da investigação policial e não constitui condenação. Caberá ao Ministério Público analisar o caso e decidir sobre eventual oferecimento de denúncia à Justiça. Os investigados têm direito ao contraditório e à ampla defesa.
Por RO Acontece/ Informações Tudo Rondônia
O post Polícia Federal indicia deputado e outros três investigados por supostas irregularidades na eleição da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de Rondônia apareceu primeiro em RO ACONTECE.
Fonte: RO ACONTECE

