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Por que nossos jovens perdem a fé nas universidades?

Universidade (Imagem ilustrativa) Foto: Pexels
Algumas pessoas leem a Bíblia para duvidar; outras, na busca de respostas às suas perguntas existenciais; e há ainda quem queira apenas conhecer mais a Deus e a Sua vontade.
Eu me encaixo na categoria dos que buscaram respostas para dúvidas científicas. Minha primeira leitura bíblica nasceu da mera curiosidade de encontrar passagens relacionadas à astronomia. Eu precisava saber se poderia confiar naquele livro como a Palavra de Deus. Em suma, fui um “Tomé moderno”.
Nessa busca, descobri que as Escrituras não são um manual de ciência, mas, quando tocam nela, não cometem erros. O propósito central da Bíblia é focar na humanidade como alvo do amor de Deus — um amor demonstrado no envio de Seu Filho unigênito para morrer e ressuscitar por nós.
No entanto, para compreender a profundidade desse plano, a Teologia precisa lançar mão de ciências interpretativas, como a exegese e a hermenêutica. Até porque, não há como ler 66 livros sem mergulhar fundo nas línguas originais, no contexto cultural e no momento histórico de cada época. É dessa interpretação técnica e honesta que nascem nossas doutrinas e valores.
Infelizmente, ao longo do tempo, muitos dogmas e visões rígidas se transformaram em pontos cegos, nos impedindo de enxergar realidades incontestáveis. Todos conhecemos o embate histórico da Igreja de Roma contra cientistas que ousaram afirmar que a Terra se movia e que o Cosmos guardava mistérios além do dogma medieval.
O que muitos se esquecem é que gigantes como Nicolau Copérnico, Johannes Kepler, Galileu Galilei, Isaac Newton e, mais recentemente, Georges Lemaître e Wernher von Braun, ousaram unir a ciência à fé. Para eles, investigar o Universo era a melhor forma de conhecer a mecânica do Criador.
Contudo, em algum momento, a Igreja evangélica começou a enxergar as ciências naturais como algo diabólico. Qual foi o grande problema dessa postura? Abandonamos a apologética, a defesa racional da fé baseada em evidências. E toda vez que abrimos mão de um campo do saber, o ceticismo assume o controle.
Por essa razão, muitos jovens abandonam a fé quando chegam aos bancos das universidades porque nunca foram discipulados para responder sobre a razão daquilo em que creem, como nos orienta 1 Pedro 3:15. Assim, eles são confrontados pelo ceticismo acadêmico ou por um ateísmo militante estruturado e não têm ferramentas para dialogar.
Há quatro décadas sou criticado e estigmatizado por navegar nessa fronteira entre a ciência e a fé. Continuo fazendo isso, porque nunca vi incoerência nessa união. Quando aceitamos a Cristo, não precisamos temer o exame científico. A ciência humana muda; o que era verdade ontem, deixa de ser hoje. Mas a Palavra de Deus permanece eficaz.
Não há como viver chamando o conhecimento de profano; quem comete erros não é o texto sagrado, mas sim quem o interpreta preso a sistemas religiosos institucionais e tradições humanas.
Recentemente, vi em um podcast de grande audiência o resultado desse nosso isolamento: um ateu debatendo com cristãos em um festival de despreparo argumentativo e arrogância. É o reflexo claro da falta de apologia. Quem não tem fé no Criador muitas vezes se mostra mais preparado para defender suas convicções do que nós.
Certa vez, me aconselharam: “Pastor, pare de olhar para os céus e falar de ciência; vá cuidar de sua igreja”. Minha resposta permanece a mesma: estou cuidando da Igreja ao ensinar as futuras gerações a se defenderem do ateísmo.
É hora de lembrar o alerta do teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer:
O silêncio diante do mal é o próprio mal.
Esse silêncio institucional da Igreja na arena acadêmica permitiu que o ateísmo operasse como a filosofia dominante na educação e na política, causando danos profundos à nossa sociedade. O problema real nunca esteve na ciência, mas sim na nossa omissão.


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