“Por que que a gente não começa a normalizar o escambo? 2026, ninguém tem mais dinheiro pra nada.” A frase abre um dos vídeos em torno da defesa do retorno ao escambo como alternativa ao dinheiro. Os conteúdos variam entre a brincadeira e a proposta concreta, mas todos os vídeos seguem o mesmo fio condutor.
As postagens publicadas com essa ideia alegam que o salário já não cobre nem mesmo o que é essencial. Nas últimas semanas, a quantidade de publicações nesse sentido cresceu no Instagram, no TikTok e no X/Twitter, com parte das pessoas apenas desabafando e outra parte sugerindo organizar grupos e fóruns de trocas de serviços.
Foto: ABr
Em um dos vídeos, uma jovem que edita vídeos propõe trocar seus serviços por aula de pilates. Outra oferece relógios por uma geladeira. “Você é médico e quer que alguém reforme alguma parte da sua casa? Posta assim: ‘Troco tal consulta por tal ação no cômodo tal’. Por que não?”.
O escambo nunca desapareceu inteiramente do Brasil. Aplicativos e grupos de Facebook voltados à troca de produtos e serviços existem há anos. O que se dá agora é o momento em que ele ressurgiu sob inflação de alimentos acima da média, juros altos que encarecem o crédito e uma geração jovem que, segundo estudo do Núcleo de Estudos Raciais do Insper divulgado em 2026, chega à vida adulta com renda maior do que a geração anterior na mesma idade.
A juventude de agora, conforme os números, não consegue converter o que tem conquistado em melhoria real nas condições. A dívida média dos jovens inadimplentes saiu de R$ 2 mil em 2020 para R$ 3,6 mil em 2026, segundo a Serasa. A renda e o acesso ao crédito não tem sido suficiente para acompanhar o custo de vida, pressionando milhões de brasileiros que entram na vida adulta já convivendo com um nível elevado de endividamento.
Fonte: Conexão Política

