Vacina (Imagem ilustrativa) Foto: Pexels/Nataliya Vaitkevich
Cada vez mais pacientes vêm me procurando com uma solicitação bastante inusitada: saber se podem tomar a vacina contra herpes-zóster, conhecida comercialmente como Shingrix®.
Quando eu pergunto o motivo dessa súbita – e inédita – vontade de se vacinar, a resposta costuma ser a mesma: muitos leram reportagens ou assistiram a vídeos comentando estudos recentes que observaram uma possível associação entre a vacinação contra herpes-zóster e um menor risco de desenvolvimento de demência, incluindo a doença de Alzheimer.
A pesquisa mais comentada analisou milhões de registros de saúde e observou que indivíduos vacinados contra herpes-zóster apresentaram aproximadamente 20% menos diagnósticos de demência ao longo de sete anos de acompanhamento quando comparados aos não vacinados.
Mas aqui cabe uma observação importante: correlação não significa causalidade. Em outras palavras, o fato de duas coisas acontecerem juntas não significa necessariamente que uma seja a causa da outra. Pessoas que se vacinam costumam, por exemplo, ter maior acesso aos serviços de saúde, realizar mais exames preventivos e adotar hábitos mais saudáveis. Tudo isso pode influenciar os resultados observados pelos pesquisadores.
Também, vale a pena destacar que essa não é a primeira vez que pesquisadores observam uma associação entre vacinação e um menor risco de demência. Estudos anteriores já haviam encontrado resultados semelhantes com vacinas como a da gripe e a pneumocócica.
Isso levou alguns cientistas a levantar a hipótese de que a proteção cerebral observada possa não estar relacionada apenas à prevenção de uma doença específica, mas também aos efeitos mais amplos da vacinação sobre o sistema imunológico e a inflamação ao longo da vida.
Ainda é importante lembrar que, a vacina contra o herpes-zóster já é recomendada principalmente para pessoas com 50 anos ou mais e para determinados grupos populacionais com maior risco de complicações relacionadas ao herpes-zóster.
Isso significa que, mesmo que futuramente se descubra que não existe efeito protetor contra a demência, a vacinação continua trazendo benefícios importantes dentro das indicações já reconhecidas. E, caso estudos futuros confirmem uma proteção adicional para o cérebro, esse seria um benefício extra – um “plus a mais”, por assim dizer.
Por fim, enquanto aguardamos os resultados dos estudos, eu, que estou próximo a completar 58 primaveras, já me vacinei – e você?

