O ditador da Nicarágua, Daniel Ortega, declarou que o país não realizará mais eleições. O anúncio foi feito durante as comemorações dos 47 anos da Revolução Sandinista, em Manágua, e representa a formalização de um processo de concentração de poder que vinha se intensificando ao longo dos últimos anos.
“Não haverá mais eleições aqui para que tentem tomar o governo e tomar o poder”, afirmou Ortega. “Os dias em que partidos apoiados pelos ianques e pelos somocistas voltariam ao poder acabaram. Nunca mais”, acrescentou. O ditador disse ainda que a Assembleia Nacional, controlada integralmente pelo governismo, trabalhará para aprovar “leis que ergam um muro, um bloqueio contra os golpistas e os traidores da pátria.”
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O anúncio não veio do nada. Em 2025, reformas constitucionais aprovadas pelo Congresso nicaraguense estenderam o mandato presidencial de cinco para seis anos e nomearam oficialmente Rosario Murillo, esposa de Ortega, como copresidente da República. As reformas também ampliaram o controle do Executivo sobre o Judiciário, as Forças Armadas e a Polícia, criaram milícias voluntárias vinculadas diretamente ao Exército e instituíram a perda de nacionalidade como punição para crimes como “traição à pátria”, instrumento já usado para revogar a cidadania de opositores exilados.
Em caso de morte de Ortega, Murillo assumiria automaticamente o regime sem necessidade de nova eleição. O International Center for Transitional Justice enquadrou o conjunto das mudanças como a criação de uma “ditadura familiar” institucionalizada. A ONU, a OEA e organizações de direitos humanos já vinham acusando o governo de transformar o país em um Estado autoritário, marcado pela perseguição a críticos, fechamento de organizações civis e restrições às liberdades.
Fonte: Conexão Política

