Ji-Paraná (RO) — A Rondônia Rural Show foi cenário de uma intensa movimentação política na última sexta-feira (29) com a presença de importantes nomes da bancada do Partido Liberal (PL) na Câmara dos Deputados. Os parlamentares Hélio Lopes, conhecido como Hélio Negão (MG), Marcos Pollon (MS) e Zé Trovão (SC) participaram da feira agropecuária a […]
Empreendedora começou com R$ 30 emprestados e hoje vive da venda de temperos
Com apenas R$ 30 emprestados, dois filhos pequenos e sem apoio da família em Rondônia, Milena Silva dos Santos começou a produzir temperos caseiros naturais para sobreviver. Hoje, sete anos depois, ela ganha até R$ 5 mil por mês com o negócio.
Milena é expositora na 13ª edição da Rondônia Rural Show Internacional. Em entrevista ao g1, a empreendedora relembrou que a ideia surgiu em um dos momentos mais difíceis da vida, quando precisava encontrar uma forma de sustentar a casa e cuidar dos filhos ao mesmo tempo.
“Comecei para ganhar dinheiro, para pagar meu aluguel, energia e outros. Comecei com 30 reais, emprestados, porque eu não tinha 30 reais na época. Um amigo meu me emprestou 30 reais, comprei os ingredientes e comecei”, contou.
Sem conseguir emprego formal por precisar cuidar dos filhos, Milena encontrou no empreendedorismo a única alternativa para sustentar a família. A primeira produção foi pequena — e as primeiras vendas também.
“Fiz uma pequena porção de temperos e ali esse meu amigo começou a me ajudar a vender, porque até então eu não tinha prática, não sabia vender direito. E ele me ajudou vendendo os primeiros potes daquela primeira remessa que eu fiz. Comprei mais ingredientes e, assim, fui fabricando", informou.
Segundo a empreendedora, o início foi difícil, mas ela não desistiu. Os produtos eram vendidos de porta em porta, sempre no horário em que os filhos estavam na escola.
“Comecei vendendo porta a porta, colocava numa caixinha térmica e vendia nas lojas, indo de loja em loja, no horário em que meus filhos estavam estudando, porque no período da tarde eu ficava com eles. E assim começou o empreendimento, vendendo porta a porta”, disse.
Maternidade e empreendedorismo
Com o retorno positivo dos clientes, o negócio começou a crescer. Milena conseguiu formalizar a produção, ampliar a comercialização dos temperos e manter a proposta de oferecer produtos naturais. Hoje, o empreendimento se tornou a principal fonte de renda da família.
“E hoje o tempero me banca 100% das minhas contas, consigo manter meus filhos, sim, consigo manter meus filhos através dos temperos, vendendo, trabalhando, conseguindo conciliar com as tarefas de casa, cuidar dos meus filhos, que agora são pré-adolescentes”, disse.
A presença dos filhos na Rondônia Rural Show também simboliza uma conquista pessoal. Segundo ela, esta é a primeira vez que eles acompanham de perto a montagem do estande em uma grande feira.
“É a primeira vez que eu trago eles para a feira para arrumar o show. Outras feiras mais perto eles já foram, mas, na Rondônia Rural Show, é a primeira vez”, contou.
Recém-separada, sem ajuda financeira do pai das crianças e longe da família, Milena precisou enfrentar dificuldades desde muito nova. Hoje, ela se orgulha da empresária e da mãe que se tornou.
“Eu poderia ter todos os motivos para ir para o lado errado. Eu vim para cá com 15 anos, muito nova. Logo, eu casei, porque era uma situação difícil. Não tinha mãe, não tinha pai, não tinha ninguém aqui. Acabei me casando por necessidade. Sofri muito. Nesses 14 anos que eu moro em Rondônia, eu sofri demais. Mas foi tudo aprendizado para ser quem eu sou hoje", disse.
Milena Silva dos Santos
Quetlen Caetano/g1
Grafiteiro e crianças resgatam clima de Copa do Mundo com mural gigante em Porto Vel
Em clima de expectativa para a Copa do Mundo de 2026, moradores de Porto Velho voltaram a colorir ruas e calçadas com as cores da seleção brasileira. Em uma escola particular da capital, cerca de 90 crianças ajudaram a transformar uma rua em um grande painel de 440 metros quadrados inspirado no sonho do hexacampeonato.
Camisas da seleção, álbuns de figurinhas, bandeiras e pinturas verde e amarelas começam a devolver às ruas o clima de união típico dos períodos de Copa do Mundo (veja o vídeo acima). A iniciativa surgiu da equipe pedagógica do colégio, que viu no Mundial uma oportunidade de integrar a comunidade escolar por meio da arte e da participação dos alunos.
“Essa atividade teve o poder de tirar a torcida da sala de casa e levá-la para a rua, revivendo o orgulho nacional de maneira lúdica, artística, emotiva e também pedagógica. Foi uma manhã de domingo incrível”, disse a diretora pedagógica Viviani Tessele Cunha.
O responsável por dar forma à ideia foi o grafiteiro Léo França. Ao g1, ele contou que o processo criativo nasceu da proposta apresentada pela direção da escola. As referências escolhidas remetem diretamente à identidade brasileira: a taça da Copa do Mundo, a expectativa pelo hexacampeonato, a bola oficial do torneio e, principalmente, a bandeira do Brasil, com destaque para as cores nacionais.
“Também quis trazer elementos da Amazônia. Por isso criei uma onça mesclada com as cores da bandeira brasileira e a frase ‘Rumo ao Hexa’, unindo o sentimento da Copa com a nossa identidade regional”, revela Léo.
Crianças foram protagonistas da pintura
A obra foi produzida em duas etapas, ao longo de dois dias. Na primeira fase, o artista fez todo o traçado do desenho em menos de 12 horas. Depois, contou com a participação de cerca de 90 crianças, que ajudaram a colorir a rua, brincaram e até sugeriram novos elementos para compor a arte.
“O principal pedido das crianças foi a presença do Neymar. Ele é o grande ídolo delas e não poderia ficar de fora. Inclusive, houve uma disputa enorme entre as crianças para participar da pintura da imagem dele”, revela o artista.
Segundo Léo, além de fortalecer a torcida pela seleção brasileira, a iniciativa estimula o engajamento das crianças, desperta o sentimento de pertencimento e incentiva a convivência entre alunos e moradores da comunidade.
“O protagonismo foi delas. Eu fui apenas o facilitador para que essa obra acontecesse. As crianças se pintaram, pintaram o chão, pintaram o rosto. Foi um momento de muita alegria e integração”, conta o artista.
Tecnologia ajudou a acelerar o trabalho
Com 440 metros quadrados, a obra foi concluída em apenas dois dias. Os trabalhos começaram no sábado, quando todas as projeções da arte foram feitas no chão com auxílio de inteligência artificial e óculos de realidade virtual. A tecnologia reduziu significativamente o tempo de execução. Segundo o artista, usando métodos tradicionais, a pintura levaria cerca de quatro dias para ficar pronta.
De acordo com Léo, os óculos de realidade virtual funcionam como ferramenta de apoio para projetar a arte na escala correta. O equipamento permite reproduzir imagens em diferentes tamanhos e superfícies — no chão, paredes ou outros espaços — garantindo mais precisão e agilidade ao processo criativo.
Léo França com os óculos de inteligência artificial usados como ferramenta na pintura
Mateus Santos/g1
Grafiteiro há 12 anos, Léo afirma que aderiu recentemente à tecnologia, que hoje também auxilia na execução de trabalhos comerciais, já que a arte se tornou sua principal fonte de renda.
“Precisamos de mais rapidez e precisão, e os óculos de realidade virtual se tornaram uma ferramenta importante nesse sentido. Foi uma mudança significativa na minha vida profissional. Sem a projeção da realidade virtual, eu teria levado cerca de dois dias apenas para desenhar a arte e mais dois dias para pintá-la.”
O artista também percebe um aumento na procura por trabalhos ligados ao Mundial.
“Este ano está me surpreendendo. A demanda por trabalhos artísticos relacionados à Copa aumentou bastante. Muitas pessoas querem pintar suas ruas, calçadas e até empresas com elementos ligados à seleção brasileira. Tenho percebido um interesse maior dos brasileiros em celebrar esse momento.”
Para ele, o retorno da tradição também ajuda a transformar os espaços públicos em ambientes de convivência.
“É muito interessante retomarmos essa tradição porque ela transforma as ruas em espaços culturais. As pessoas passam a frequentar o local, tirar fotos e levar suas famílias. A rua deixa de ser apenas um espaço de passagem e se torna um espaço de convivência. As ruas precisam ser ocupadas pelas pessoas, e a arte é uma excelente ferramenta para isso.”
Moradores aprovam iniciativa
Lohan Almeida de Souza, Thais Aparecida e João Roberto, da esquerda para a direita
Mateus Santos/g1
O acadêmico de Direito Lohan Almeida de Souza foi um dos moradores que acompanharam de perto a pintura. Para ele, a iniciativa resgata uma tradição marcante da cultura brasileira. Lohan lembra que, durante a infância, era comum ver ruas decoradas em períodos de Copa, hábito que acabou diminuindo nos últimos anos.
“Agora ver essa tradição retornando é muito bom, porque mostra que as pessoas continuam valorizando não apenas o futebol, mas também o sentimento de representar o nosso país”, conta Lohan.
Para a assessora jurídica Thais Aparecida, pintar as ruas e colocar bandeiras em frente às casas sempre fez parte da rotina da família durante as Copas do Mundo, tradição que será mantida neste ano. Ela acredita que o clima verde e amarelo pode reacender o sonho do hexacampeonato para crianças e jovens que nunca viram o Brasil conquistar um título mundial.
“Eu mesma não me lembro de ter vivido conscientemente um título mundial porque era muito pequena, mas considero muito importante que as crianças tenham essa experiência. É um incentivo muito positivo para essa nova geração”, revela Thais.
Já o bancário João Roberto, que viveu intensamente a Copa de 1982 aos 14 anos, afirma que a retomada da tradição representa o verdadeiro espírito do Mundial: unir e mobilizar as pessoas.
“Nós somos conhecidos como o país do futebol, então é natural que exista essa empolgação", conta o bancário.
Tradição que atravessa gerações
Segundo a historiadora Rita Vieira, a tradição de pintar ruas durante a Copa do Mundo surgiu após o primeiro título mundial do Brasil, em 1958. Na época, a televisão ainda era novidade no país e poucas famílias tinham acesso ao aparelho. Mas o costume ganhou força nacionalmente durante a campanha da Copa de 1970, quando o Brasil conquistou o tricampeonato com a famosa Seleção Canarinho.
“Naquele período, houve uma forte campanha de incentivo promovida pelo governo federal, durante a ditadura civil-militar, que utilizou o futebol como elemento de mobilização nacional. Com isso, a cultura de decorar e pintar as ruas em apoio à seleção brasileira se fortaleceu e se espalhou pelo país”, disse a historiadora.
Ainda segundo Rita, a tradição nunca desapareceu completamente e segue sendo transmitida entre diferentes gerações.
A historiadora destaca que muitas pessoas guardam lembranças da infância pintando ruas durante a Copa e acabam compartilhando essa experiência com filhos e netos.
“É muito interessante perceber que essa tradição está sendo retomada. Como o Brasil não conquistou o hexacampeonato nas últimas campanhas, havia certo desânimo. Agora, com a expectativa para a Copa de 2026, essa tradição voltou a ganhar força e as pessoas estão novamente animadas.”
Grafiteiro cria arte inspirada na Copa do Mundo e resgata tradição de pintar ruas em Porto Velho
Reprodução/Redes sociais
Grafiteiro cria arte inspirada na Copa do Mundo com ajuda de crianças e resgata tradição de pintar ruas em Porto Velho
Acervo pessoal/Léo França
Pintura de Neymar realizada pelo grafiteiro Léo França em Porto Velho
Mateus Santos/g1
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