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Pescador se surpreende ao encontrar macaco ‘diferente’ em RO
O pescador João Cordeiro encontrou um animal "misterioso" durante uma de suas pescaria. No topo de uma árvore como uma águia, mas peludo como um bicho-preguiça. Mal sabia ele que tinha acabado de fazer um registro raro do macaco-velho, um excelente camuflador.
Segundo João, a aparência do bicho causou confusão logo no primeiro olhar. A mistura de características chamou tanta atenção que ele demorou para entender do que se tratava.
"No início eu achei que era uma preguiça, só que quando ele virou para trás e eu vi o tamanho do rabo eu falei: 'Não, bicho preguiça não pode ser'. Fiquei curioso, voltei para casa, e mostrei para uns amigos e uns falaram para mim que era um macaco aqui da nossa região", explicou.
Macaco-velho
Apesar da aparência curiosa e do nome pouco popular, o macaco-velho não é considerado raro. De acordo com o biólogo Flávio Terassini, a espécie é comum na Amazônia, mas costuma passar despercebida porque vive nas copas das árvores e raramente desce ao solo.
"Pode ser solitários ou em bandos de pequenos grupos, eles não vão ficar aglomerados com 50, 100 indivíduos. Eu já vi dois, três indivíduos próximos. Eles raramente descem no chão da floresta porque eles têm muito medo de ser predados por onças e jaguatiricas", disse o biólogo.
Segundo Terassini, existem quase 500 espécies de primatas no mundo. Só na Amazônia, são mais de 100 espécies diferentes; e o macaco-velho é uma delas. O animal chama atenção pela pelagem volumosa e pelos movimentos lentos, características que ajudam na camuflagem em meio à floresta.
"Parece que ele está usando um echarpe ou uma roupa, um casaco de vovózinha. Então ele usa essa pelagem para se camuflar nas árvores, na natureza, então ele passa despercebido. Se ele percebe qualquer barulho, ele fica quietinho e a sua camuflagem dos pelos lembra muito o musgo ou, claro, uma roupa mais envelhecida, então por isso o nome é macaco velho", explicou.
O biólogo afirma ainda que o animal se alimenta de frutos, insetos e pequenos invertebrados. Mesmo vivendo escondido entre as árvores, ele também faz parte da cadeia alimentar e pode virar presa de grandes predadores da floresta.
"Lá na copa das árvores, a harpia, que é o gavião real, pode ser um predador. Algumas cobras como a jibóia e, às vezes, até mesmo a sucuri, pode sim se alimentar desse primata", relata.
Macaco-velho encontrado por pescador
Reprodução/João Cordeiro
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